
‘Viajar pelo Atlântico é como ouvir a rádio Ocean FM, a gente se sente flutuando’. Foi com essa frase batida que Frederico, mais conhecido como Fred, ganhou uma promoção que lhe rendeu uma viagem de cruzeiro e que, ele não sabia, mas seria inesquecível. Os dois primeiros dias a bordo do navio foram só diversão, apesar de Fred se sentir um pouco enjoado. Mas o terceiro dia começou bem diferente, nem parecia que havia amanhecido, pois o céu estava escuro. Era uma tempestade. O mar estava agitado e o Capitão pediu que os tripulantes não saíssem do navio.
Em menos de 5 minutos, metade daquelas pessoas ficariam dentro do navio para sempre e só a outra metade seria salva por um navio salva-vidas, que chegaria 40 minutos depois do trágico naufrágio. Mas Frederico era uma exceção a essa estatística, porque foi parar em um lugar completamente diferente.Quando acordou, com areia por todo corpo, não demorou a perceber que estava em uma pequena ilha. Logo, sabia que estava perdido de vez, seria impossível sobreviver ali.
Além de areia, só existia mais uma coisa na ilha: uma árvore, bem no centro. Fred foi andando até ela para ficar na sombra e encontrou uma lâmpada de luz elétrica. Chegou a rir. Afinal, quem deixaria uma lâmpada ali? Quando olhou para árvore, viu que existia um buraco no tronco, parecido com um bocal de lâmpada. Sentiu-se um idiota, mas, como ninguém estava vendo mesmo, enroscou a lâmpada e, incrivelmente, a luz acendeu.
O chão começou a tremer, a água do mar jorrou para o ar como uma explosão e o tamanho da ilha triplicou, agora com muito mais árvores e uma estrada ao centro. No fim da estrada vinha um carro adesivado com a frase “Luz no fim do túnel”. Se aproximava com velocidade, até que parou na frente de Fred. Desceu do carro uma mulher, um pouco mal encarada, usava uniforme, pochete e segurava uma prancheta. Sem nem mesmo olhar para cara de Frederico, mascando um chiclete, disse:
– Senhor Frederico Silva não é?! – Fred nem se mexia – Hum, é você mesmo. Então, a assistência técnica desse local só cobre a realização de um desejo, seja claro e objetivo. Não aceitamos reclamações posteriores.
– Mas não eram três? – perguntou Fred. A mulher riu. – Querido, alguma vez você já esteve nesse lugar? Pois então, qualquer sugestão preencha essas cinco fichas, dê três pulinhos e coloque no correio com cópias de sua identidade e CPF autenticados. Agora vamos ao desejo? – falou a mulher com cara de poucos amigos.
Fred nem pensou duas vezes, falou desesperado que queria ir para casa. A mulher tirou uma arma de dentro da pochete, apontou para ele e quando apertou o gatilho ouviu-se o barulho de um telefone tocando. Fred acorda. Dessa vez em sua casa. Atende ao telefone assustado. Ouve o locutor falando “Parabéns Frederico, você foi o grande vencedor da promoção ‘viajando pelo Atlântico’ da rádio Ocean FM”. Fred nem termina de ouvi-lo, desliga o telefone e se joga no travesseiro aliviado. Foi um sonho. Quando olha para o lado, vê uma lâmpada sobre cinco fichas em cima do criado mudo.
Escrito por Rohan Baruck
Conto criado para a faculdade. A ideia era criar uma história que envolve-se: uma viagem; a vida na ilha; e a lâmpada dos desejos. Saiu isso! rsrs
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