domingo, 6 de fevereiro de 2011

Como falar de Hair?


Começar um texto é o mais complicado. Geralmente, quando você consegue escrever o início, desponta e então vai! Mas quando o assunto é o espetáculo Hair, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, a missão é bem mais difícil! Assisti ao musical no último sábado, 5 de fevereiro, e confesso que é complicado destacar tanta coisa boa. (Olha eu tentando bancar o critico de musicais)

Não assisti muitos musicais na minha humilde vida, mas posso garantir que Hair é uma das melhores produções. Já havia visto o filme, vídeos do espetáculo da Broadway e ouvido músicas da versão brasileira de 1969 (Deus abençoe a internet) e tenho certeza que o cuidado que Charles Möeller e Claúdio Botelho tiveram para pensar e executar cada detalhe são o ponto alto do espetáculo. Não é à toa que recebm o rótulo de “Os reis dos musicais”.

Com atores/ cantores (CANTORES MESMO!!!)/ dançarinos de primeira, não há um integrante que você olhe e diga "ah, esse canta mais ou menos". Não! Do início ao fim, você se surpreende com cada canção.

Por se tratar da adaptação de um musical da Broadway, as mensagens são universais e em sua maioria voltadas para os problemas enfrentados pelo país. O preconceito racial e a guerra do Vietnã (que pode ser comparada aos conflitos atuais dos EUA com o Iraque) são mensagens que, a principio, parecem pouco adequadas para a realidade que vivemos no Brasil, mas elas acabam servindo como espelho para os problemas que enfrentamos.

O espetáculo conta a história de um grupo de hippies que lutam pela paz e o amor, indo contra qualquer tipo de preconceito ou conservadorismo da época. Cabelos grandes, roupas coloridas, os hippies eram considerados rebeldes. Na tribo, Berger (Igor Rickli), Claude (Hugo Bonemer) e Sheila (Carol Puntel) vivem um triângulo amoroso... quer dizer... uma espécie de triângulo amoroso, já que todo mundo se “pegava” no grupo. Claude é pressionado pelos pais a largar a vida na tribo e se alistar no exército, enquanto os integrantes do grupo queimavam suas identidades e cartas de convocação para guerra em forma de protesto. O conflito vivido por Claude é o ponto de partida para o desenrolar da história.

A trilha sonora e as coreografias são empolgantes e nem parece que o musical tem três horas de duração. (pode acreditar, minha noiva – que não gosta de musical – adorou do espetáculo!!!) O figurino, a iluminação, a banda, tudo em Hair é motivo para o sucesso que a montagem está fazendo, que inclui duas indicações ao Prêmio Shell de Teatro.

A emblemática cena de nudez que marcou a montagem brasileira de 1969 também foi retratada na versão de Möeller e Botelho. É que na montagem de 69, o Brasil estava em plena época da ditadura, e estreou após a assinatura do Ato Constitucional nº 5, decreto do Regime Militar Brasileiro que resultou em cassações de direitos políticos em massa e prisão e torturas de adversários. Como o espetáculo era repleto de cenas de nudez, não agradou a censura. Depois de uma longa negociação, os censores concordaram que a nudez seria mostrada apenas no final do espetáculo, onde os atores deveriam permanecer imóveis, sendo seguido por um “Black-out”.

Confesso que o final do filme é mais surpreendente que o da montagem teatral, mas o musical é muito mais que uma “virada” na história. É um ESPETÁCULO!


Serviço:

Hair
Teatro Oi Casa Grande
Quarta, Quinta e Sexta 21h, Sábado 18h30 e 22h e Domingo 20h
(horários válidos para fevereiro)
Endereço: Avenida Afrânio de Melo Franco 290, Leblon
Horário da Bilheteria: terça-feira - 15h às 20h / de quarta a sexta-feira - 15h às 21h30/ sábado -15h às 22h30 / domingo - 15h às 20h30

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