sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Hoje conheci Nara Leão



O espetáculo 'Nara' reestreou nesta sexta-feira, 17, desta vez, no Rio de Janeiro, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Sendo sincero: nunca ouvi falar de Nara Leão. Exagero. Conheço de nome. Mas tanto eu, quanto você, já ouvimos Nara cantar. Seja num barquinho pelo mar ou vendo a banda passar.

Tive a oportunidade de assistir esta primeira apresentação só para convidados e conhecer um pouco da história da musa (ou muda) da Bossa Nova.

Talvez, quem conheça mais sobre a história da música popular brasileira ou, até mesmo, que conheça a discografia da cantora, poderia falar do espetáculo com um pouco mais de propriedade. Mas eu falo como um mero espectador, que se deixou encantar pela musicalidade e delicadeza do espetáculo.


Imersa no ritmo da Bossa Nova e MPB, a peça 'Nara' retrata a trajetória dos 25 anos de carreira da cantora Nara Leão e a sua importância para a história da música popular brasileira, passando pelas suas contribuições para o samba de morro, tropicalismo e música protesto.

Fernanda Couto faz as vezes de Nara, interpretando e dando voz as suas canções. Impressionante a leveza com que a atriz carrega a personagem, que, até mesmo, falando manso consegue mostrar a força e coragem de Nara na época da repressão militar.


Os músicos-atores William Guedes, Silvio Venosa e Rodrigo Sanches se juntam a Fernanda para ilustrar essa biografia, interpretando amigos e amores da cantora, dando um toque especial ao musical.

A fotografia e plasticidade da peça dão todo um clima a encenação e fazem a ligação entre as duas artes que, no palco, pareciam se completar: o teatro e a música.

Como em toda estreia, pequenas falhas aconteceram durante a apresentação, mas nada que prejudicasse muito o espetáculo.

Recomendo a todos assistirem esse musical de raízes brasileiras.

Serviço

Nara

CCBB - Teatro II
Quinta a domingo - 19h30
Ingresso: R$10
Duração: 60 minutos
Temporada: 17 de dezembro de 2010 a 27 fevereiro de 2011
Classificação: Livre
Fotos: divulgação

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Heróis da Resistência



Em homenagem ao dia da Consciência Negra, o Instituto Nossa Senhora do Teatro irá apresentar, em diversos pontos do Rio de Janeiro, o espetáculo 'A Saga de Manuel Congo e Marianna Crioula - Os Heróis da Resistência'

Criado para ser apresentado em espaços alternativos e com um elenco formado por mais de 50 atores, alunos e ex-alunos do instituto, o espetáculo narra a trajetória de dois negros da Aldeia de Arcozelo que lideraram uma luta pela liberdade no período da escravidão.

As encenações serão gratuitas e podem ser conferidas nos seguintes dias e locais:

19/11 - Gare da Estação de Trens Central do Brasil - 12h
20/11 - Busto do Zumbi - Praça Onze - 08h30
21/11 - Espaço Cultural Sylvio Monteiro - Nova Iguaçu - 19h

Nessa sexta, vale a pena dar uma passada rápida na Central do Brasil na hora do almoço e conferir a apresentação que tem duração de apenas 30 min.

Então, fica a dica de programação pra esse fim de semana.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dois extremos do Dionisícas: de 'Taniko' ao 'O Banquete'


Na última sexta-feira, começaram as apresentações dos espetáculos do 'Projeto Dionisiacas em Viagem 2010'.

Assisti o primeiro e o último espetáculo, respectivamente, 'Taniko, O Rito do Mar' e 'O Banquete', e consegui ver os extremos criativos da Cia. Oficina Uzyna Uzona.


'Taniko'é uma verdadeira poesia nipônica brasileira

A peça atrasou uma hora, mas valeu a pena esperar. Coberto por uma plasticidade e fotografia apreciável, 'Taniko' deu o pontapé inicial e, diga-se de passagem, com o pé direito para o ciclo de espetáculos do Projeto Dionisiacas, no Rio de Janeiro.

Com trilha sonora ao vivo, feita pela Banda Tigre Dente de Sabre,o espetáculo ganha uma mistura de ritmos que envolve a platéia, trazendo para o ambiente um entrosamento entre as culturas brasileira e japonesa.


Uma gueixa abre o espetáculo, em uma bela cena, pintando no chão o nome da peça com uma tinta vermelha. A partir daí começa uma viagem do Japão até o Brasil em pleno palco ao som de músicas tradicionais japonesas e Bossa Nova.

Como já dizia no post anterior, 'Taniko' conta a história do menino Kogata (Ariclenes Barroso) que arrisca-se ao deixar a mãe (Luiza Lemmertz) doente no Japão e seguir para o Brasil, em uma viagem de barco, sabendo da lei que estabelece deixar no caminho quem for tomado de exaustão ou ficar doente. Kogata revela não suportar o cansaço da viagem e exige que os companheiros o apunhalem e lhe joguem morto no mar, pois não quer morrer só. Cumpre-se o rito, apesar do Mestre Waki (Marcelo Drummond) tentar impedir. Depois do feito, apaixonado pelo discípulo, Waki invoca o poder de Zeame (Zé Celso), o criador do Nô, que os ajuda a tirar Kogata dos braços do mar.

Mitos do folclore brasileiro e japonês são inseridos e visitados nessa grande viagem que passa por vários países até, de fato, chegar aqui.

Em cena, vale destacar a voz potente de Cellia Nascimento, que já chega empolgando o público, interpretando O Bunda Budo.


O Coro de Yamabuchis dão vida ao que pode-se considerar como cenário, uma vez, que eles próprios, com suas partituras corporais, criam as ambientações do espetáculo, desde a formação do Navio até o tsunami que inunda a platéia.

O espetáculo inteiro é uma grande poesia, que com leveza em meio a uma estrutura tão bem acabada e cheia de equipamentos como grandes telões, fios, câmeras e refletores, conseguiu transportar o público para diversos países, fazendo um bom uso da tecnologia, mas sem depender dela.

Ressalto apenas a execução em cena por parte do Coro. A maioria das ações do Coro de Yamabuchis era, ou deveria ser sincronizada, desde a voz até o movimento. Entretanto, era nítido em algumas partes da peça uma certa insegurança de alguns atores, que até olhavam para trás para saber qual era a próxima ação a ser feita.

Mas ainda assim, o espetáculo não perde o seu ritmo e proporciona a platéia uma característica obra de arte.


Já 'O Banquete' ...

Uma vez, na escola de teatro em que eu me formei, o professor disse "Quando alguém for assistir uma peça de Artaud, tem que estar preparado para assistir Artaud.". Pois bem, deviam ter me dito a mesma coisa sobre o Zé Celso, antes de eu ir assistir o espetáculo "O Banquete" nesta última segunda-feira.

Recriação do clássico diálogo de Platão sobre Eros, o Amor, o texto de Zé Celso é feito em forma de versos musicados. Agatão (Marcelo Drummond), grande ator grego, acaba de encenar as Bacantes no Teatro de Estádio e recebe seus convidados, entre eles os filósofos Sócrates (Zé Celso), Aristófanes (Rodolfo Dias Paes), Diotima
(Camila Mota), Erixímaco (interpretado pelo ator pernambucano Anthero Montenegro) e o poeta Fedro (Lucas Weglinski) e Alcebíades (Fred Steffen), entre outros, para um banquete regado de vinho em sua casa onde vão cantar o Amor, Eros. Nesse ambiente, incorporam personagens da mitologia grega: Orpheu, Eurídice e Zeus; além de Jesus e Iemanjá.


Foram distribuidos vinhos e frutas para o público afim de trazê-los também a cena. Na verdade, muitos da platéia nem precisaram de vinho e já se fizeram presentes, tirando a roupa enquanto um dos atores fazia os agradecimentos e apresentava seus patrocinadores.

Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que no início não achei algumas coisas engraçadas. Mas depois de 30 minutos de espetáculo tudo começou a perder o propósito. A nudez começou a se tornar desnecessária e a vulgarização do amor e do sexo tomou conta do palco.

Não acho que valha a pena comentar mais porque não gostei do espetáculo e por isso sai antes de terminar. Não era a minha praia.

Fotos de Neander Heringer

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dionisíacas em Viagem – Finalmente no Rio



Tive a oportunidade de participar da Oficina Uzynas Uzonas de Atuação/Direção/Música, orientada por José Celso Martinez Correia, um dos ícones do teatro brasileiro, e pela Cia. Oficina.

Com duração de aproximadamente 7 dias, os oficineiros, como eram chamados os alunos, puderam exercitar e aprender um pouco mais sobre a utilização do corpo em cena e foram preparados para participarem dos quatro espetáculos que serão apresentados entre os dias 12 e 15 de novembro, no Teatro de Extádio, montado no Terreirão do Samba.

Os espetáculos 'Taniko', 'Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!', 'Bacantes' e 'O Banquete' contam com a interação multimídia que aproxima e integra ainda mais o público as representações, revolucionando a montagem teatral. O evento será finalizado com uma grande festa, ao som eletrônico da Banda Tigre Dente de Sabre.

Toda essa movimentação artística faz parte do Projeto Dionisiacas em Viagem 2010, que já percorreu 5 estados do Brasil e encerra sua temporada de atividades aqui no Rio de Janeiro.


Não consegui participar de todos os dias de oficina, mas o pouco que pratiquei e observei acrescentaram bastante na minha visão teatral, abrindo a minha mente a novas possibilidades.

Vale a pena conferir e participar dessa experiência que com certeza vai fazê-lo sair diferente do teatro.


Taniko, o Rito do Mar

Espetáculo baseado em peça de Zeami (1363 a 1443), dramaturgo e dançarino japonês criador do Teatro Nô. Numa recriação de Luis Antonio e José Celso Martinez Corrêa, esse rito foi transformado na primeira viagem dos imigrantes japoneses ao Brasil, na forma de um musical para o público de todas as idades. A peça narra uma viagem de iniciação, trazendo num barco o menino Kogata (Ariclenes Barroso). Ele arrisca-se ao deixar a mãe (Luiza Lemmertz) doente no Japão e seguir para o Brasil, sabendo da lei que estabelece deixar no caminho quem for tomado de exaustão ou ficar doente. Kogata revela não suportar o cansaço da viagem e exige que os companheiros o apunhalem e lhe joguem morto no mar, pois não quer morrer só. Cumpre-se o rito, apesar do Mestre Waki (Marcelo Drummond) tentar impedir. Depois do feito, apaixonado pelo discípulo, Waki invoca o poder de Zeame (Zé Celso), o criador do Nô, que os ajuda a tirar Kogata dos braços do mar.

Data: Dia 12 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 20h.
Duração: 1h40, sem intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: Livre para todas as idades.
Elenco: Cia Oficina.

Estrela Brazyleira a Vagar - Cacilda!!

Segunda parte da tetralogia que narra a vida e a obra da atriz Cacilda Becker (interpretada pela atriz Anna Guilhermina), a peça dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa fala sobre os bastidores do teatro brasileiro, na década de 1940, para traçar um painel da história do Brasil sob o ponto de vista de uma artista. Traz na sua dramaturgia a ascensão de Cacilda no teatro entre artistas da época, como Grande Othelo, Ziembinski, Maria Jacinta, Raul Roulien, Jorge Amado, Bibi Ferreira, Maria Della Costa e Sérgio Cardoso. Mostra ainda o encontro da geração de diretores como Ziembinski, Turkov, Wylli Keller, refugiados do nazismo, com a geração de Cacilda e o Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento.

Data: Dia 13 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 18h.
Duração: 6h, com um intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere que cada pessoa leve uma flor, para ser utilizada durante a apresentação). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 16 anos.
Elenco: Cia Oficina.

Bacantes

Uma das mais conhecidas – e polêmicas – obras do Teatro Oficina, Bacantes reconstitui o ritual de origem do Teatro em 25 cantos e cinco episódios. Com música composta por Zé Celso (que também assina a autoria e direção), a última tragédia grega conhecida – Bakxai (406 a.C.), de Eurípides –, é encenada como ópera de Carnaval para cantar o nascimento, morte e renascimento de Dionysios, deus do Teatro, do vinho, do Carnaval. O espetáculo mostra a chegada de Dionysios (Marcelo Drummond), filho de Zeus (Hector Othon) e da mortal Semelle (Anna Guilhermina), em sua cidade natal, TebaSP, que não o reconhece como Deus. Trava-se o embate entre o prefeito de Tebas Penteu (Fred Steffen), filho de Agave (Cellia Nascimento), que tenta proibir a realização do Teatro dos Ritos Báquicos oficiados por Dionysios e o Coro de Satyros e Bacantes nos morros da capital Tebas, governada por Kadmos (Hector Othon) – mudando para sempre a história daquela cidade. Com autoria e direção de Zé Celso, Bacantes teve sua primeira montagem em 1995, sempre atraindo multidões por onde passou. A nova versão foi lançada em 2009, pelo Sesc São Paulo. É a peça que inspirou a atual arquitetura do Oficina, dos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito, no Bixiga, em São Paulo, com sua fonte, jardim, teto-móvel e uma imensa janela que se abre para o céu e uma pista ladeada de arquibancadas.

Data: Dia 14 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 18h.
Duração: 6h, com dois intervalos.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 16 anos.
Elenco: Cia Oficina.

O Banquete

Recriação do clássico diálogo de Platão sobre Eros, o Amor, o texto de Zé Celso é feito em forma de versos musicados. Agatão (Marcelo Drummond), grande ator grego, acaba de encenar as Bacantes no Teatro de Estádio e recebe seus convidados, entre eles os filósofos Sócrates (Zé Celso), Aristófanes (Rodolfo Dias Paes), Diotima (Camila Mota), Erixímaco (interpretado pelo ator pernambucano Anthero Montenegro) e o poeta Fedro (Lucas Weglinski) e Alcebíades (Fred Steffen), entre outros, para um banquete regado de vinho em sua casa onde vão cantar o Amor, Eros. Nesse ambiente, incorporam personagens da mitologia grega: Orpheu, Eurídice e Zeus; além de Jesus e Iemanjá. A peça foi montada a convite do Festival de Zagreb, na Croácia e em junho de 2009 iniciou temporada no Teatro Oficina. Durante a apresentação, o público tem a possibilidade de comprar (e beber) vinho oferecido pela produção.

Data: Dia 15 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 19h.
Duração: 3h45, sem intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 18 anos.
Elenco: Cia Oficina.

Show da Banta Tigre Dente de Sabre

Ao final do espetáculo O Banquete, que encerra a turnê das Dionisíacas em Viagem no Rio, o público poderá participar de uma grande festa ao som da banda paulista Tigre Dente de Sabre (www.myspace.com/tigredentedesabre). O show, de uma hora de duração, será realizado dentro do próprio Teatro de Extádio, logo após o encerramento da peça O Banquete. Os músicos da banda Tigre Dente de Sabre fazem parte dos 29 atuadores em cena do Teatro Oficina, nas quatro peças que compõem o projeto Dionisíacas em Viagem. Com um som que mistura música eletrônica e erudita numa linguagem contemporânea, os instrumentistas Guilherme Calzavara (bateria, trumpete, zaphoon e programações eletrônicas), Marcos Leite (baixo elétrico, sintetizador e programações eletrônicas) e Zé Pi (guitarra) vão oferecer ao público uma verdadeira “rave erudita”, num show dançante que marca em clima de festa a despedida do Teatro Oficina em Minas Gerais. O show é aberto a todo o público que for assistir a peça O Banquete.

Com: Guilherme Calzavara (bateria, trumpete , zaphoon e programações eletrônicas), Marcos Leite (baixo elétrico, sintetizador e programações eletrônicas ) e Zé Pi (guitarra).
Data: Segunda-feira, dia 15 de novembro.
Horário: Após a peça O Banquete.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Ingresso: Gratuito.

Quer conhecer mais o trabalho do Teatro Oficina? O que não falta é link. Confira:

http://www.teatroficina.com.br
http://www.youtube.com/tvuzyna
http://twitter.com/teatroficina
http://qik.com/teatroficina
http://www.facebook.com/uzyna.uzona
http://blog.teatroficina.com.br/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Calígula



Um dos maiores clássicos teatrais, escrito por Albert Camus, Calígula, nos apresenta a história do terceiro imperador romano que ficou conhecido por sua natureza extravagante e cruel, flertando sobre felicidade, liberdade e poder.

Protagonizado por Thiago Lacerda e com direção de Gabriel Villela, o espetáculo é uma ótima opção para estudantes de teatro. Aparentemente, com forte influência das técnicas de Brecht, o espetáculo adota uma plasticidade encantadora.

Repleto de simbolismos e com um cenário minimalista, é uma peça que desperta reflexões do público.

Os atores em cena tinham toda a interpretação voltada para a voz e a cabeça, com poucos movimentos corporais. Exceto Thiago Lacerda que, com uma partitura corporal bem preparada, mostra todo poder e liberdade de Calígula, enchendo o palco com os devaneios do seu personagem. Considero essa uma escolha interessante da direção e que fazia muito sentido no contexto, pois mostrava que todos eram submissos a Calígula, por isso suas ações se concentravam na cabeça. Não sei se foi proposital, mas me causou essa impressão.


Outra escolha assumida pelo espetáculo que considerei muito boa, foi o fato de não explorarem a nudez. Calígula já é uma história conhecida pela “pornografia”, devido ao polêmico filme lançado nos cinemas, mas no espetáculo, toda nudez e devassidão ficavam bem claras apenas com os seios a amostra de Cesônia, interpretada por Magali Biff.

Além disso, é precio destacar a primeira aparição de Calígula em cena. Imponente e melancólico, era possível enxergar em todos os movimentos daquela cena a angústia e poder do protagonista.

A única coisa que me incomodou na peça foram alguns momentos de silêncio que aconteciam, por exemplo, na passagem dos atos. Sentia falta de uma trilha.

Mas uma coisa era clara em todo o espetáculo, o elenco estava em ótima sintonia e todos cumpriram muito bem o seu papel. Além disso, a direção e o cenário estavam impecáveis. Vale a pena conferir.

Calígula está em cartaz no:
Teatro do Sesc Ginástico – av. Graça Aranha, 187, Centro. Rio de Janeiro (RJ)
De quarta a domingo às 19h. Até 3 de outubro.
R$ 10 (quarta), R$ 20 (quinta, sexta e domingo) e R$ 30 (sábado)
Informações: (21) 2279-4027 ou www.sescrio.org.br
Classificação: 14 anos

Direção: Gabriel Villela
Elenco: Thiago Lacerda (Calígula), Magali Biff (Cesônia), Cláudio Fontana (Cherea), César Augusto (senador romano e Ruffius, o poeta), Rodrigo Fregnan (Hélicon), Pedro Henrique Moutinho (Scipião) e Ando Camargo (intendente do tesouro romano e Metellus).

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Roliúde - Um espetáculo com duas estrelas: o ator e o autor


Adaptação do livro escrito por Homero Fonseca, Roliúde ficou em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal.

O espetáculo nos conta a história de Bibiu, um sertanejo típico que ganha a vida contando histórias pelas ruas e praças públicas do Brasil. Mas suas histórias são, na verdade, versões pessoais dos maiores clássicos do cinema mundial, como “Casablanca”, “E o vento levou”, “King Kong”, “Em busca do ouro”, entre outros.


Com um ótimo desempenho do ator e uma vísivel preocupação com a preparação corporal, a peça encanta trazendo um nordeste parecido com os que, engraçado, fizeram muito sucesso no cinema em filmes como "O auto da compadecida" e "Lisbela e o Prisioneiro".

O espetáculo tem aproximadamente uma hora e meia de duração e em algns momentos cansa, mas então Bibiu solta uma tirada e pronto, o espetáculo se renova.


Além disso, junto ao talento do ator, o texto é um dos pontos fortes do espetáculo. Homero Fonseca conseguiu criar um personagem carismático e uma história divertidíssima.

Uma pena "Roliúde" já ter saído de cartaz, mas assim que voltar a cena eu faço um post aqui.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FosFoRiladOR



Pessoal, entrou na net essa semana o blog fosforilador.blogspot.com

O FosFoRiladOR foi criado para apresentar, em vídeo, os contos do blog osignificadoe.blogspot.com , que tem a autoria de Eduardo Passos - jornalista, escritor e internauta fanático.

A cada semana será publicado um video-conto interpretado por um ator diferente.

Fui convidado a fazer o vídeo de inauguração e vocês podem conferir o resultado clicando aqui.

Ah, pra quem é de Minas Gerais ou tem tempo para fazer uma viagem, no dia 24 de agosto, Eduardo Passos estará ministrando uma palestra no 3º Concgresso Nacional de Letras, Artes & Cultura, com o tema "Novos circuitos culturais na Internet e a produção de conteúdo na Rede".

O evento, cujo tema é “Representações culturais e suas linguagens”, será realizado de 23 a 27 de agosto de 2010, na UFSJ, São João del-Rei – MG, nos campi Dom Bosco e CTAN dessa Instituição.

Para conferir a programação completa é só clicar aqui.

sábado, 17 de julho de 2010

O que eu gostaria de dizer



Estou de volta!

Fui assistir ao ótimo espetáculo “O que eu gostaria de dizer”, que tem no elenco Luis Melo, Bianca Ramoneda e Marcio Vito, e direção de Marcio Abreu.

Com texto elaborado pelos próprios atores junto ao diretor, a peça apresenta através das relações humanas as dificuldades que temos em demonstrar nossos verdadeiros sentimentos.

Para isso, apresenta três personagens: Um homem de idade avançada, já experiente, que mora sozinho e parece dedicar-se a ficar em casa se questionando sobre a sua existência e o que acontece ao seu redor; e um casal à beira da separação, o homem fala incansavelmente e de repente percebe que não está falando coisa com coisa e a mulher, insatisfeita com o casamento, quer mudança, tenta falar, mas ele não à ouve.


O cenário minimalista conta apenas com uma estrutura de ferro retorcido que divide o espaço em 2 cômodos do apartamento do casal, o quarto e a sala, e um cômodo da casa do senhor. Poucos objetos ficam em cena.

Faço minhas as palavras de Mariângela Alves de Lima do ‘O Estadão de São Paulo’: “... impossível destacar só um nome neste concerto afinado”.

A sintonia do elenco é um dos principais pontos fortes do espetáculo. Além disso, o texto, baseado na obra de Gonçalves M. Tavares “O homem ou é tonto ou é Mulher”, traz uma proximidade com o público impressionante. Os personagens ali apresentados poderiam ser qualquer um da platéia. Os diálogos, seus questionamentos, suas atitudes e seus sentimentos são tão reais que fazem você chegar à conclusão de que “é verdade, eu faço isso também!” ou “eu me pergunto sobre isso também”.

A Direção de Marcio Abreu é muito boa, a única coisa que não gostei muito é que, como o teatro é de Arena, algumas cenas ficaram voltadas apenas para um lado da platéia.

Não deixe para última hora pessoal, o espetáculo só vai até o dia 25 de julho.

"Não há melhor lugar para estar do que estar contente.
Só percebi isso tarde demais, apesar de ainda ser muito
novo.
Um dia fui para o pólo mais frio por causa do calor e lá não me senti bem.
Num outro dia fui para o pólo mais quente por causa do frio e também lá não me senti bem.
Decidi, então, deixar de andar de um lado para o outro.
É preferível a angústia nos momentos em que estamos parados do que quando viajamos.
Quando estamos parados a angústia é mais lenta.
Decidi, então, resolver todas as coisas relativas a temperatura do corpo dentro do meu próprio corpo.

Não me mexo para lado nenhum, e sentado no sofá de mim mesmo dou ordens ao corpo:

- Agora frio
- Agora calor.

Ele as vezes não obedece, mas eu não me queixo.
Todos temos as nossas manias.
Os nossos pequenos vícios.
Não há melhor lugar para estar do que estar contente.
Esta é uma grande verdade.
Não há melhor lugar para estar do que estar contente."

Trecho do espetáculo

O que eu gostaria de dizer
Caixa Cultural RJ – Teatro de Arena
01 a 25 de Julho de 2010
Ingressos: R$10 e R$5(meia)

terça-feira, 1 de junho de 2010

My Hair!


Estou de volta. Na verdade, voltei outras vezes, mas não postei nada porque os espetáculos que assisti não foram tão bons para colocá-los aqui e, se não é pra falar bem, prefiro não falar. Afinal de contas, eu posso ter não gostado, mas quem sabe você gosta?!

Sendo assim, resolvi falar sobre um filme muito bom que assisti nesse final de semana (muito bom no meu ponto de vista, a minha noiva detestou).

Hair



O filme Hair é um dos musicais com mais mensagens que eu já vi nesses meus módicos 20 anos de idade.

Não vou negar que, se tivesse assistido a esse filme há uns dois anos atrás, não o veria do jeito que o vi. Sabe aquele meu problema com o ‘artístico e abstrato’?! Pois então, já melhorou bastante!

Gostaria que todos, que não tem costume de ver um musical, assistissem a esse filme com o coração aberto. Apesar de ter sua origem nos anos 60, as mensagens do filme se aplicam muito bem para o que a população mundial vive hoje. Seja falando em guerra ou de convivência em sociedade.


O filme conta a história de Claude, que sai do interior para Nova York, onde pretende se alistar para o exército e ir lutar na guerra do Vietnã. No Central Park, conhece um grupo de hippies liderados por Berger e, ao ver Sheila, uma linda menina de família tradicional, passeando a cavalo pelo parque, acaba se apaixonando. Berger convida-o para irem de penetras na festa de Sheila e lá declarar seu amor. Claude vai parar na cadeia, depois no lago do Central Park e por fim no exército. Mas o esforço final de Berger para salvar o amigo do Vietnã acaba dando margem a uma surpresa do destino... com conseqüências chocantes.

O bacana do filme é que os hippies não são apresentados como "os perfeitos". Ao mesmo tempo que tem como lema a Paz e o Amor e são contra a injustiça e a guerra, também fazem o uso excessivo de drogas.

Me admira a ousadia que o musical teve de contar uma história que critica diretamente o governo, sem nenhum disfarce. O filme foi censurado em alguns países, inclusive no Brasil, que na época vivia um dos momentos mais rígidos do regime militar.


Gosto muito da forma criativa e irônica que o filme aborda seus temas.

Uma das(muitas) cenas que mais gostei é a que os soldados vão para um pátio onde o coronel começa um discurso para levantar a auto-estima deles e é interrompido pelo som de um movimento artístico que denuncia a hipocrisia do coronel que tenta, através de palavras bonitas e motivadoras, disfarçar o que acontece no campo de batalha. Fantástico.

Além de terem um forte apelo crítico, a maioria das músicas são empolgantes e fazem com que o espectador seja envolvido cada vez mais pelo filme.

A música “Got a life” é a crítica contra a desigualdade social invadindo a mesa de jantar no meio de uma festa onde o luxo e o exagero predominam.

Em “Easy to be Hard”, além de ilustrar o que o personagem sente e pensa, criticando as atitudes de um dos integrantes do grupo, a letra da música pode ser adotada por muita gente, sejam elas hippies ou não.

Não posso esquecer de falar da hilária “Black Boys/White Boys” que desconstrói a imagem forte e viril dos soldados e sargentos, apresentando o homossexualismo dentro da corporação. Muita coragem.


‘Let the sunshine' é o grito de liberdade do filme, dos hippies, dos anos 60. Clássico.

Curiosidade: Um trecho de 'Let the Sunshine' foi usado como tema oficial da campanha a presidência de Barack Obama.

A versão cinematográfica de Hair foi feita a partir do espetáculo homônimo escrito por James Rado e Gerome Ragni(textos e letras de música) e músicas de Galt MacDermot(músicas). O espetáculo estreou em outubro de 1967 em teatros off-Broadway, mas logo em 1968 teve sua estréia na Broadway, no Teatro Biltmore, onde foi apresentado por mais de 1.800 vezes.


O espetáculo não tem o mesmo enredo que o da versão do cinema.

No Teatro, o musical segue a trajetória d’ A Tribo, um grupo de hippies da Era de Aquário politicamente ativos, em sua luta contra o recrutamento militar no período da Guerra do Vietnã. Entre os hippies estão Claude e Berger, que lutam contra a convocação do primeiro, e Sheila, apaixonada pelos dois, mas muito envolvida na luta política para cuidar de seus sentimentos amorosos. Eles e os outros membros do grupo sintetizam o pensamento e a prática dos hippies nos anos 60.


Em 1969, no Brasil, foi feita uma montagem do musical em São Paulo, por Ademar Guerra. Detalhe: o espetáculo estreou logo após a assinatura do Ato Constitucional nº5, decreto do Regime Militar Brasileiro que resultou em cassações de direitos políticos em massa e prisão e torturas de adversários.

Obviamente, o espetáculo que era repleto de cenas de nudez não agradou a censura.
Mas depois de uma longa negociação, os censores concordaram que a nudez seria mostrada apenas no final do espetáculo, onde os atores deveriam permanecer imóveis, sendo seguido por um “Black-out”.

Até hoje, a cena é lembrada como um dos grandes momentos do teatro brasileiro.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

''Recomendo sempre aos atores que não fiquem esperando a sorte bater à sua porta'' - João Fonseca



No último post, havia comentado sobre uma reportagem com João Fonseca, feita pela Contigo, em que o Diretor fala sobre a formação do ator. Eis que encontrei no site a entrevista, feita por Elisa Duarte. Veja abaixo:
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Na década de 90, trabalhou com o ator Antônio Abujamra. Com a saída de Abujamra da companhia, Fonseca assume a direção artística e administrativa do grupo teatral. Em Tudo no Timing, de David Ives, de 1999, a direção é assinada por João Fonseca e Terry O'Relly. Neste ano, João trabalhou com a montagem de Um Certo Vang Gogh, com o Bruno Gagliasso, e está em temporada no Rio de Janeiro com a peça A Gota d'Água, de Chico Buarque.

Há um caminho certo que um bom ator deve seguir para conseguir viver de teatro?
Não. O mais seguro é cursar uma escola, mas eu mesmo não tive formação acadêmica nenhuma: aprendi fazendo. O fundamental é procurar se envolver com teatro o máximo de tempo que puder, no palco, fazendo produção, iluminação ou qualquer outra função, estudando, fazendo cursos, não importa. Quanto mais experiência e mais pessoas conhecer, melhor ator você poderá ficar. Desse jeito você encontrará pessoas com quem se identifica e poderá até fundar um grupo ou companhia, o que na minha opinião é a melhor maneira de um ator se expressar e estar sempre em atividade. Recomendo sempre aos atores que não fiquem esperando a sorte bater à sua porta, que criem seus grupos, seus projetos e corram atrás dos seus sonhos.

Qual o princípio básico de um ator? O que ele deve desejar em primeiro lugar?
Vocação, pois com ela vem a paixão e o prazer pelo que você faz. A vocação fará com que você não desanime e consiga superar as dificuldades. Um ator quer e deve querer estar o maior tempo possível no palco e fazer sempre os melhores papéis. Mas não há lugar para todo mundo, então é bom parar e se perguntar: se você não obtiver fama e só conseguir papéis coadjuvantes, ainda assim você vai ser feliz? Se a resposta for sim, você está na profissão certa. É importante também ter necessidade de discutir o ser humano político e social, ter necessidade de expressar suas opiniões sobre o mundo em que vivemos


Aonde buscar referência para a criação de uma personagem?
Cada ator tem um maneira diferente de se preparar e criar seu personagem, no entanto, todos têm que procurar estudar e saber tudo que for possível sobre a peça e o seu personagem. Saber sobre o autor do texto, a época em que ele escreveu, se ele pertenceu a algum movimento estético, o que ele queria dizer, saber sobre o lugar em que se passa a peça, a condição social, o que os outros personagens falam sobre ele, o que o autor aponta sobre ele, suas características, enfim, procurar todas as fontes possíveis para ter um material consistente e se entregar ao projeto do diretor. E muito importante: saber que antes de tudo está o espetáculo e que ele está ali para servir a um objetivo comum, que é contar aquela história da melhor maneira possível.

O que pensa sobre a fama?
Fama é conseqüência, não pode ser objetivo.


Algumas pessoas desistem da arte da dramaturgia porque não conseguem ganhar dinheiro em um curto prazo. Como solucionar a questão financeira? O que você tem visto, sentido, sobre esse assunto?
Este é um ponto delicado. No meu caso, cursei uma faculdade de engenharia e exerci essa profissão até poder me sustentar com teatro. Mas não há uma maneira certa nem errada. Vivemos num país onde, infelizmente, viver de arte é complicado, mas graças a Deus temos criatividade e talento de sobra para inventarmos formas de superar isso. Seja trabalhando como garçom, sendo sustentando pelos pais, dando aulas, fazendo comerciais ou animando festinhas.

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Essa matéria eu tirei daqui. Nesse site tem outras reportagens bem bacanas. Vale conferir.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É o tempo!


Há uma semana e meia, eu e a turma da faculdade fomos à um tour pelo centro do Rio, guiados pela professora da matéria 'Sociedade e Natureza', que é uma espécie de geografia da Graduação.

Começamos o passeio na praça das barcas, depois passamos pelo Arco do Teles e fomos seguindo pelos pontos turísticos e ruas que contam a história do Rio de Janeiro, desde a chegada dos portugueses até os dias de hoje.

Talvez, se eu tivesse assistido antes a peça "Era no tempo do Rei", poderia sugerir que o final desse passeio fosse no Teatro João Caetano. Mas só nesta quinta-feira (13/05) tive o prazer de assistir ao grande espetáculo.



Com o crescimento do gênero musical nos teatros brasileiros e em meio a tantos clássicos "enlatados" que estão fazendo sucesso (não entenda mal a expressão 'enlatados', sou grande fã de musicais de origem estrangeira), eis que surge um espetáculo genuínamente brasileiro e com força de clássico, título que com certeza será adotado mais para frente para o "Era no tempo do Rei".



A peça apresenta a Família Real Portuguesa após 2 anos de sua chegada ao Brasil.

Dona Maria (a louca), mãe de Dom João, narra a história em que o jovem príncipe Dom Pedro foge do Palácio no dia do Entrudo - o Carnaval daquela época - e conhece o plebeu Leonardo, com quem vive grandes aventuras. As peripécias de Dom Pedro acabam servindo aos planos maléficos de sua mãe, a princesa Dona Carlota Joaquina, que, ao lado do amante, o diplomata inglês Jeremy Blood, tenta neutralizar o regente Dom João e tomar o poder.

Apesar de não ter um comprimisso total com os fatos históricos, o espetáculo é uma ótima pedida para os estudantes. Mas não só para eles.

A qualidade da peça me faz entender o por que eu gosto tanto de teatro.

As músicas, originalíssimas, de Carlos Lyra e Aldir Blanc são perfeitas, o que já era de se esperar. Quem assistiu ao espetáculo entende o que eu escrevo.

As músicas dos criados, por exemplo, dão um toque especial a história e são de um bom gosto admirável, além disso as canções interpretadas pela 'encantadora de platéias', Soraya Ravenle, são lindas.

Não esqueço também, e ainda me pego cantando na rua, a música de apresentação do personagem João Calvoso, interpretado pelo ótimo André Dias, que dá mais ritmo ainda para o espetáculo.



As coregrafias e direção são impecáveis, o cenário também faz toda a diferença e traz mais dinamismo para o musical.

Nem preciso fazer a rasgação de seda sobre o diretor João Fonseca, que considero um dos melhores diretores dos últimos anos. Ele, sem saber, me motivou a querer continuar seguindo a carreira de ator quando li uma entrevista sua para a Contigo - depois faço um post com a reprodução dessa reportagem.

Em "Era no tempo do Rei", o elenco inteiro se destaca, desde os protagonistas até o elenco de apoio.



Alice Borges, como Dona Maria, e Leo Jaime, como Dom João, comandam a onda de gargalhadas.

Isabella Bicalho, que interpreta Carlota Joaquina, e Tadeu Aguiar, o Jeremy Blood, tem sua melhor e mais engraçada cena quando cantam juntos, depois de se apresentarem ao público como amantes. André Dias, o João Calvoso, é um dos destaques do espetáculo, assim como os jovens Christian Coelho e Renan Ribeiro. Soraya Ravenle, que interpreta Bárbara, é de deixar qualquer um sem ação.

Enfim, espero que todos tenham a oportunidade de assistir esse ESPETÁCULO. Ainda dá tempo!

Era no tempo do Rei
Teatro João Caetano
12 de março a 30 maio de 2010

R$ 40 (plateia) e R$ 30 (balcão nobre e galeria)
Quintas, às 19h; Sextas, às 20h e Sábados, às 18h.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

'Casa Muda' grita na França




Que superprodução que nada. Dá R$12 mil reais, uma câmera fotográfica digital, quatro dias e 15 pessoas pra esse menino que ele consegue fazer um filme. E mais, ainda vai para Cannes.

Brincadeiras a parte, foi com essa estrutura que o Uruguaiano Gustavo Hernández rodou "Casa Muda", filme experimental de terror que foi selecionado para ser exibido no Festival de Cannes.

Gustavo, que até então havia dirigido apenas videoclipes, curtas e anúncios publicitários, recebeu uma proposta para se lançar como diretor de filmes com um orçamento de R$12mil reais, o que acabou forçando Hernández a criar um projeto que se encaixasse nesse modesto orçamento.

Depois de muito pensar com amigos, resolveram rodar uma história inspirada em fatos reais que aconteceu na década de 40.

"Casa Muda" retrata, em tempo real, os últimos 74 minutos de vida de duas vítimas de um assassinato brutal, que resulta nos dois corpos mutilados encontrados em uma casa de campo do Norte do Uruguai.

O filme começou a ganhar visibilidade na internet, através do trailer que foi publicado em sites de filmes de terror, youtube e blogs. E foi através desse meio que um dos jurados do Festival de Cannes assistiu o trailer e fez um convite, por e-mail, para que o filme fosse apresentado na edição deste ano.

Detalhe, o filme ainda não estava totalmente editado e foi terminado há poucas semanas.

O vídeo continua no Youtube e você pode conferir aqui embaixo. Parece bom mesmo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cannes - 2010



Começou nesta quarta-feira, 12 de maio, o 63º Festival de Cannes, que este ano tem como presidente do juri, ninguém mais, ninguém menos (gótico e estranho) que Tim Burton. Ao lado dele, fazendo parte da banca de jurados, estão as atrizes Kate Beckinsale e Giovanna Mezzogiorno, o ator Benício Del Toro, os diretores Victor Erice, Shekkhard Kapur e Emmanuel Carrére, o diretor do Museu do Cinema de Turim Alberto Barbera e o compositor Alexandre Desplat.

Robin Hood



O evento, que acontece até o dia 23, teve como filme de abertura o - nem tão esperado - 'Robin Hood', de Ridley Scott. O filme não empolgou tanto quanto outros que tiveram o mesmo prestígio de abrir o Festival em edições passadas.


Confesso que acho a história de Robin Hood um tédio e já duvidava, antes mesmo de ver o trailer, que fosse um filme bom. Não sou muito fã de épicos. Aquelas musiquinhas irritantes de mulheres gemendo, sofrendo, me tira do sério. Mas se um dia eu alugá-lo, assisto de coração aberto - para direção, atuação, fotografia, mas para história vou ter que fazer um esforço.

Cate Blanchett é um atrativo para o filme e, segundo algumas críticas, Mark Strong, que faz o vilão, também é um dos
destaques.

Apesar de abrir o Festival, Robin Hood não participa da mostra competitiva, assim como os filmes 'You will meet a tall dark stranger' de Woody Allen e 'Wall Street: money never sleeps', do diretor Oliver Stone.

'Robin Hood' estreia nessa sexta-feira(14/05) aqui no Brasil.

Brasil em Cannes



Fora do circuito competitivo, também está "5x Favela - Agora por nós mesmos", filme realizado pelos próprios moradores de uma favela do Rio de Janeiro e produzido por Cacá Diegues, que vem representando o Brasil como um dos jurados da competição paralela de curtas para novos diretores, o Cinéfondation.

Para quem não sabe, Cacá Diegues foi o diretor dos filmes 'O maior amor do mundo', 'Deus é Brasileiro' e 'Orfeu'.

Mas não é só por favelas que são lembrados os brasileiros.

'Alegria', de Felipe Bragança e Marina Méliande, estará na Quinzena dos Diretores, que é uma sessão paralela e não competitiva do evento. O filme acompanha, durante um verão, as transformações de uma adolescente de 16 anos, Luiza, interpretada por Tainá Medina.

Já na Semana da Crítica, poderá ser assistido o curta 'A distração de Ivan', dos brasileiros Cavi Borges e Gustavo Melo.

E por fim, a nossa única chance de ganhar a tão cobiçada Palma de Ouro esse ano está nas mãos, ou melhor, no curta metragem,'Estação', de Marcia Faria. O filme concorre com curtas de atores como Kirsten Dunst e James Franco, que também estão na disputa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

XVII Festival de Teatro do Rio




Estão abertas as inscrições para o XVII Festival de Teatro do Rio, realizado pelo Centro Cultural Veiga de Almeida.

Segundo o Regulamento, as inscrições estarão abertas até o dia 5 de julho, podendo ser realizada por qualquer grupo, companhia e produção teatral. Todos tem direito de inscrever apenas um espetáculo.

Os organizadores oferecem uma ótima estrutura para apresentação dos espetáculos, que este ano acontecerão entre os dias 14 e e 23 de setembro, no Teatro Laura Alvim, com entrada franca.

Serão Premiadas as seguintes categorias:

• Melhor Ator
• Melhor Ator Coadjuvante
• Melhor Atriz
• Melhor Atriz Coadjuvante
• Melhor Direção
• Melhor Figurino
• Melhor Cenografia
• Melhor Iluminação
• Melhor Texto
• Melhor Espetáculo
• Melhor Espetáculo pelo Voto Popular

Em cada edição, o Festival homenageia um artista e este ano a escolhida é Marieta Severo. Será apresentada uma exposição mostrando toda a trajetória da atriz, que completa 45 anos de carreira.

Vale lembrar que, além da apresentação dos espetáculos, o Festival também oferece oficinas e debates com diretores e produtores teatrais.

Os interessados podem se inscrever e encontrar mais informações no site do Festival:
http://www.uva.br/festivaldeteatro/

Cursos e Oficinas


Respondendo ao comentário do último Post e os que tenho recebido por e-mail, vou passar algumas informações de cursos e oficinas teatrais que acontecem aqui no Rio de Janeiro. Pelo menos os que me lembro agora. Depois vou comentando sobre outros aqui.





Infelizmente, a maioria das inscrições e/ou seleções já foram concluídas. Elas costumam acontecer sempre no final ou início de ano, mas vale a pena marcar na agenda os períodos dessas inscrições, para não esquecer quando chegar a hora.





Em Nilópolis, umas das melhores oficinas livres de Teatro é oferecida gratuitamente no Centro Cultural de Nilópolis e é ministrada por excelentes professores.

A cidade já tem um histórico cultural bacana e suas manifestações artísticas, principalmente o teatro, vem sendo apresentado inclusive nos desfiles da Escola de Samba Beija-flor.

O Centro Cultural tem um Blog, onde você pode conferir os eventos que acontecem por lá: http://centroculturaldenilopolis.blogspot.com/

As inscrições para as oficinas ficam abertas sempre no final de novembro e se estendem até o fim de fevereiro.

E atenção para o 3º Festival de Esquetes, que mudou de data, será realizado entre os dias 11 e 13 de junho.





Já no Centro do Rio, temos o Instituto Nossa Senhora do Teatro, com sede na Supervia. A Escola abre seleções anuais para o ingresso no Curso de Preparação e Desenvolvimento do Ator. Para aqueles que ainda não tem experiência, eles ofereceram este ano cursos livres de Iniciação Teatral e Montagem de Espetáculos. Não são cobradas mensalidades em nenhum dos cursos oferecidos pelo Instituto.

Vale a pena entrar no site para conferir as novidades e os projetos que estão sendo realizados. As atualizações são constantes e é possível que abram novas turmas de cursos livres:

www.nossasenhoradoteatro.com





Em Laranjeiras, uma boa opção são os cursos livres oferecidos pela CAL. A escola, que dispensa apresentações, é uma das mais conhecidas do Rio de Janeiro. Apesar de seu curso de formação profissional ter um preço um pouco salgado, os cursos livres não seguem a mesma linha. São pequenas oficinas de ótima qualidade e preço acessível.

Aqui você pode conferir os cursos que acontecerão nesse mês de maio e em junho. Mas não se desespere, se você acha que está muito em cima para conseguir uma graninha extra pra fazer esses cursos, não tem problema. É só esperar mais um pouco, que até junho sai a lista de novas oficinas.





Partindo de "cavalinho azul" para Lagoa, o inesquecível Tablado abre suas inscrições apenas em Outubro. Os alunos são selecionados através de sorteio. As aulas são ministradas por professores formados pela própria Maria Clara Machado, fundadora da escola/teatro.

Você também pode ter mais informações no site www.otablado.com.br





De tão óbvia, essa última dica de curso é até esquecida: SESC RIO. O Sesc oferece ótimos cursos e oficinas, muitas gratuitas. Abaixo, duas opções bacanas:

• Iniciação Teatral - Sesc São João de Meriti - Gratuito
Oficina de jogos corporais, vocais e de improvisação que possibilita a experimentação tanto prática quanto teórica da linguagem.
Domingos, 10h às 13h.

• Atos e Atores - Sesc Engenho Novo - Gratuito
Oficina de teatro para estimular a expressão da criatividade como veículo de crescimento pessoal. Baseada em técnicas de interpretação, relaxamento, exercícios de respiração e voz, improvisação, entre outras. 5as, 17h40 às 20h40 e sábados, 9h às 11h.

Se quizer conferir a lista completa de cursos oferecidos pelo Sesc, é só acessar www.sescrio.org.br

quinta-feira, 22 de abril de 2010

2010 - Parte 2


Esse ano o teatro está vindo com tudo no Rio de Janeiro. Além de grandes espetáculos estreando a todo momento, festivais, eventos e outras manifestações culturais, por meio dessa grande arte, vem movimentando a cidade.

Depois da enchurrada de Festivais desse semestre, já está na hora de começar a pensar no segundo round. E nada melhor do que um super encontro entre diferentes grupos teatrais do Rio de Janeiro para dar a largada na corrida do cenário cultural carioca do segundo semestre.



Estão abertas as inscrições, até o dia 15 de maio, para o IX Encontrarte - Encontro de Arte Cênicas da Baixada Fluminense. Podem se inscrever espetáculos de qualquer gênero produzidos no Estado do Rio de Janeiro.

Serão selecionadas 16 peças que receberão uma ajuda de custo de R$2.000,00 (dois mil reais) e serviço de camarim para se apresentarem na mostra.

Os espetáculos serão abertos ao grande público que poderá aproveitar as apresentações gratuitamente.

E então, se interessou?

Então fique por dentro dos detalhes clicando aqui, ligando para (21) 8865-8440 / 7868-7938 – ID 12*7434 - Falar com Tiago Costa (Produtor da mostra)- ou enviando um e-mail para editalencontrarte@gmail.com .

Balada Cultural!



O 1º semestre de 2010 está acabando e com ele vários Festivais Teatrais que estão formentando a cultura no Rio de Janeiro.

Mas não apenas de festivais é feita a cultura. Não podemos esquecer do Viradão Carioca, que acontece nesse fim de semana - 23, 24 e 25 de abril - e terá mais de 300 apresentações em 54 horas de atividades que contam com shows, espetáculos teatrais e exposições. E o melhor, de graça!


Só para sentir o clima do super evento, no primeiro dia, sexta-feira(23), na Praça XV, haverá shows de Dona Ivone Lara, Marcelo D2, Cidade Negra, Preta Gil e Malboro.

No sábado (24), recebi indicações para assistir o espetáculo "Hamelin" às 19h no CCBB, além disso, eu quero(vou) ir também para o "Velha é a Mãe", no Teatro Sesi do Centro às 20:30. No mesmo dia, haverá show de As Chicas(que ouvi falar que é muito bom), Pitty, Sandra de Sá, Lucas Silveira e MV Bill, na Praça XV.

Se você quer conferir a programação completa do Viradão acesse o site www.viradaocarioca.net.br.

Um bom apanhado de informações você também consegue nessa página do G1.

Nos encontramos lá então?! rs

quarta-feira, 21 de abril de 2010

SORRIA MAIS




Oi pessoal!
Dando uma passada rápida só pra avisar que o espetáculo "Sorria, você está sendo roubado" continua em cartaz, até o dia 7 de maio, no TEATRO GLAUCE ROCHA, que fica pertinho da estão do metro Carioca.
O espetáculo é ótimo e para todas as idades.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

BIG BUS BRASIL! - TEATRO NO ÔNIBUS




Estava saindo de Botafogo e indo para Central, quando entra um homem no ônibus e para na frente, cumprimentando todos com um sonoro Boa Noite.

Acredito que muitos, como eu, já estavam esperando aquele discurso sobre os 5 filhos que não tem o que comer ou um "eu podia estar roubando, eu podia estar matando...". Mas nesta quarta-feira foi diferente. O Rapaz se chama Claudio Wendell e estava ali para apresentar um espetáculo, dentro do ônibus.

Com um nariz de palhaço e, na mão, um violão ao invés de balas, Wendell chega anunciando que está ali para comemorar o aniversário de uma pessoa muito especial: o cobrador, que logo disfaz a cara de sono e parece não entender o que está acontecendo. Daí pra frente é só diversão.

O ator começa a fazer o seu show particular entretendo de forma leve todos os passageiros, que pra ele eram artistas. "Temos aqui Denzel Washington e Beyoncé" dizia, arrancando as primeiras gargalhadas. O trocador e o motorista entraram no clima e colaboravam quando o artista pedia para apagar e acender as luzes enquanto puxa uma música com os passageiros. Artista, esse é um bom exemplo de artista. Ter a capacidade de divertir as pessoas depois de um longo dia de trabalho não é pra qualquer um. E podem acreditar, não tinha um passageiro que ficasse de cara feia. A viagem, que antes era longa, nunca passou tão rápido.

Eu, se fosse vocês, começava a andar mais de ônibus.

Abaixo alguns vídeos do ator:



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Em tempo...



Faz tempo que não paro pra assistir novela, mas vi o 1º capítulo de "Escrito nas EStrelas", nova novela das 18h.

Vale a pena assistir principalmente pela direção. Roberto Gomes está usando movimentos de câmera que há muito tempo não se via em novelas. O resultado é um dinamismo incontestavel, que deixa a novela muito mais atraente. Além do mais, a história parece ser muito boa!

Antes tarde do que nunca - Mais FESTIVAIS




Faz um tempo que não postava. Mas estou de volta.

As últimas semanas estavam meio complicadas, muita chuva e muita novidade também! Mais para frente conto com detalhes.

Vamos as notícias que tardam, mas não falharão para quem estiver preparado. Mais Festivais de Esquete que movimentarão o Rio de Janeiro nesse semestre.



Estão abertas, desde o dia 29/03, as inscrições para o 1º Festival de Esquetes Universitário da PUC-RIO.

Um dos requisitos para participação, é que cada um dos integrantes do grupo que se apresentará (atores e diretor) estejam matriculados em uma Universidade e/ou curso superior do Estado do Rio de Janeiro. Entre as premiações estão R$2.000,00 e bolsas nas seguintes instituições:

- Casa de Cultura Laura Alvim
- O Tablado
- Centro Musical Antonio Adolfo
- Centro de Movimento Deborah Colker
- Espaço Stella Torreão

Para mais informações, acesse: http://www.festivaldeesquetes.com.br/
ou envie um e-mail para festivaldeesquetes@gmail.com

PRÓXIMO...



Essa é pra correr mesmo.

Foram prorrogadas as inscrições para a 1º Mostra Arte Inclusiva - Edição Festival de Esquetes. E o bacana é que o juri é o próprio público.

O grande vencedor ganhará o Troféu Aplauso e uma temporada de 1 mês no Teatro da Prefeitura. Além disso, nesta terça-feira (13/04) será ministrado um Workshop pelo talentosissímo (baixou o José Dias, rs) Milton Filho, às 14h no Parque das Ruínas, Rua Murtinho Nobre, 169 - Santa Tereza. O ator também está em cartaz com o espetáculo "Sorria, você está sendo filmado", que já foi comentado aqui!

Para saber ter maisinformações sobre o festival, acesse o blog: http://arteinclusiva.blogspot.com/
ou envie um e-mail para fabriciomachado.arteinclusiva@hotmail.com

Não posso esquecer de agradecer a Vanessa Queiroz, que me passou as noticias.