Há uma semana e meia, eu e a turma da faculdade fomos à um tour pelo centro do Rio, guiados pela professora da matéria 'Sociedade e Natureza', que é uma espécie de geografia da Graduação.
Começamos o passeio na praça das barcas, depois passamos pelo Arco do Teles e fomos seguindo pelos pontos turísticos e ruas que contam a história do Rio de Janeiro, desde a chegada dos portugueses até os dias de hoje.
Talvez, se eu tivesse assistido antes a peça "Era no tempo do Rei", poderia sugerir que o final desse passeio fosse no Teatro João Caetano. Mas só nesta quinta-feira (13/05) tive o prazer de assistir ao grande espetáculo.

Com o crescimento do gênero musical nos teatros brasileiros e em meio a tantos clássicos "enlatados" que estão fazendo sucesso (não entenda mal a expressão 'enlatados', sou grande fã de musicais de origem estrangeira), eis que surge um espetáculo genuínamente brasileiro e com força de clássico, título que com certeza será adotado mais para frente para o "Era no tempo do Rei".

A peça apresenta a Família Real Portuguesa após 2 anos de sua chegada ao Brasil.
Dona Maria (a louca), mãe de Dom João, narra a história em que o jovem príncipe Dom Pedro foge do Palácio no dia do Entrudo - o Carnaval daquela época - e conhece o plebeu Leonardo, com quem vive grandes aventuras. As peripécias de Dom Pedro acabam servindo aos planos maléficos de sua mãe, a princesa Dona Carlota Joaquina, que, ao lado do amante, o diplomata inglês Jeremy Blood, tenta neutralizar o regente Dom João e tomar o poder.
Apesar de não ter um comprimisso total com os fatos históricos, o espetáculo é uma ótima pedida para os estudantes. Mas não só para eles.
A qualidade da peça me faz entender o por que eu gosto tanto de teatro.
As músicas, originalíssimas, de Carlos Lyra e Aldir Blanc são perfeitas, o que já era de se esperar. Quem assistiu ao espetáculo entende o que eu escrevo.
As músicas dos criados, por exemplo, dão um toque especial a história e são de um bom gosto admirável, além disso as canções interpretadas pela 'encantadora de platéias', Soraya Ravenle, são lindas.
Não esqueço também, e ainda me pego cantando na rua, a música de apresentação do personagem João Calvoso, interpretado pelo ótimo André Dias, que dá mais ritmo ainda para o espetáculo.

As coregrafias e direção são impecáveis, o cenário também faz toda a diferença e traz mais dinamismo para o musical.
Nem preciso fazer a rasgação de seda sobre o diretor João Fonseca, que considero um dos melhores diretores dos últimos anos. Ele, sem saber, me motivou a querer continuar seguindo a carreira de ator quando li uma entrevista sua para a Contigo - depois faço um post com a reprodução dessa reportagem.
Em "Era no tempo do Rei", o elenco inteiro se destaca, desde os protagonistas até o elenco de apoio.

Alice Borges, como Dona Maria, e Leo Jaime, como Dom João, comandam a onda de gargalhadas.
Isabella Bicalho, que interpreta Carlota Joaquina, e Tadeu Aguiar, o Jeremy Blood, tem sua melhor e mais engraçada cena quando cantam juntos, depois de se apresentarem ao público como amantes. André Dias, o João Calvoso, é um dos destaques do espetáculo, assim como os jovens Christian Coelho e Renan Ribeiro. Soraya Ravenle, que interpreta Bárbara, é de deixar qualquer um sem ação.
Enfim, espero que todos tenham a oportunidade de assistir esse ESPETÁCULO. Ainda dá tempo!
Era no tempo do Rei
Teatro João Caetano
12 de março a 30 maio de 2010
R$ 40 (plateia) e R$ 30 (balcão nobre e galeria)
Quintas, às 19h; Sextas, às 20h e Sábados, às 18h.
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