segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Visto de cima

Augusto vive só e sempre morou no último andar. Ver o mundo de cima é uma mania, um desejo, um traço. Estar por cima sempre foi seu maior objetivo.

Nas tardes de domingo, Augusto tinha um costume peculiar, dedicava-se a observar o que de mais acontecia ao seu redor.

Com uma visão privilegiada, - de cima, é claro! – deixava-se encostar na sacada e passava a olhar a vizinhança.

Observar mendigos sempre foi entediante. A não ser em dias de junho. Uma gota, duas gotas. Chuva. Vê-los correndo à procura de abrigo chegava a ser divertido. Pra ele.

Até que, certo domingo, uma porta vizinha se abre. Visto de cima, apenas cabelos loiros. Tão logo, esses mesmos cabelos seguem em direção ao seu melhor entretenimento dominical e envolve-o com os braços para levá-lo até um lugar seguro. De repente, o que eram lisos cabelos mostram-se dois olhos recriminantes, o que fez com que Augusto, naquele instante, se constrangesse e repensasse sua posição naquele mundo visto de cima.

Por Rohan Baruck
Conto criado para a faculdade. A proposta era criar um texto sobre o tema "Ser humano. O que é ser isso?"

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