quarta-feira, 16 de março de 2011

Carnaval - Parte 2: O Discurso do Rei

Em mais uma tentativa frustrada de assistir Cisne Negro – todas as sessões do filme estavam lotadas desde a estreia – acabei vendo o segundo filme da minha lista de carnaval:

O Discurso do Rei





Depois de passar por dois cinemas, sem lugar para as sessões mais próximas, enfim chegamos a um Cinema Estação. Nunca havia assistido a um filme na simpática sala de cinema de Botafogo. Aconchegante, com uns 120 lugares e uma tela no tamanho adequado, parecia o point da 3º idade carioca.

Antes de falar de ‘O Discurso...’, não posso deixar de comentar o nervosismo dos nossos companheiros de filme. Os senhores e senhoras não podiam escutar um suspiro mais alto que já se ouvia um sonoro “CALA A BOOOOOCA”. E quando alguém resolveu atender um telefone (que estava no vibracall – Graças a Deus!)?! Foram bem diretos: “VAI CONVERSAR LÁ FORA”, “DESLIGA ESSE TELEFONE”, “AQUI NÃO É LUGAR PRA ISSO” (A caixa alta é para destacar o volume dos esporros). Gostei do lugar! Principalmente das companhias, rs. Pudemos assistir ao filme na maior tranquilidade – com exceção desses momentos de ‘choque de ordem’, claro!

Mas vamos ao filme.

Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

O Discurso do Rei é um filme correto. A história, apesar de bem interessante, não tinha um clímax, a não ser as gagueiras angustiantes do protagonista, mas que já eram esperadas e não traziam nenhuma surpresa. Apesar disso, é uma história boa de se ver.

A dupla formada por Collin Firth e Geoffrey Rush é um grato presente para o público. Com um ótimo entrosamento e interpretação cuidadosa, os dois transformam a amizade que nasce entre os personagens em um verdadeiro trunfo, que acaba sendo admirado por todos.

Melhor ainda, é poder ver Helena Bonham Carter fazendo um personagem mais realista. A atriz, que há tempos se dedicou as grandes fantasias do cinema (muitas de seu marido, Tim Burton), chama atenção no filme pela novidade. Uma boa novidade.

Entre os méritos do filme, não podem faltar as partes mais técnicas. A direção, de Tom Hooper, a fotografia, de Danny Cohen, e a direção de arte, de Netty Chapman, são um destaque a parte. Câmeras paradas, enquadramentos bem definidos e as cores utilizadas nas cenas, pareciam pintar quadros. O Discurso do Rei é uma produção que parece vir acompanhada com um selo do Oscar. Opa! Agora vem!

domingo, 13 de março de 2011

Carnaval - Parte 1: E o vento levou...

Como já havia postado antes, não sou muito fã de carnaval. Na verdade, acho que eu não encontrei o bloco certo! (rs) Por isso, sempre tenho que encontrar um bom programa para esses quatro dias em que quase nada funciona. E sem nenhum teatro aberto, a solução era única: CINEMA!

Assisti dois filmes no cinema e mais um em casa. Mas em vez de comentar os três de uma só vez, vou fazer diferente. Cada dia eu posto sobre um filme.

E o primeiro da lista, que vai estrear com chave de ouro é...

E o vento levou...


Ok! Pode fazer essa cara de “Não acredito: no carnaval assistindo ‘E o vento levou...’?!”. Pois pode acreditar. E faço melhor, ainda recomendo. O clássico do cinema, ganhador de nada menos que 10 estatuetas do Oscar, é o melhor filme que já assisti nos últimos 21 anos! (rs)

O longa narra a história da complicada Scarlet O’Hara (Vivien Leigh), uma jovem que vê sua vida mudar drasticamente com o inicio da Guerra Civil Americana. Entre amores, desilusões e conflitos, Scarlet acaba encarando suas dificuldades pensando apenas em sua felicidade, fazendo com que a herdeira das terras de Tara não hesite em manipular ou, até mesmo, matar qualquer um para alcançar seus objetivos. Apaixonada por Ashley (Leslie Howard), não tem seu amor correspondido e acaba vivendo um relacionamento de amor e ódio com Rett Butler (Clark Gable), um aventureiro de caráter duvidoso.

Piegas? Pode até parecer, mas não é!

A história pode até lembrar as novelas brasileiras, mas vai muito além delas. O filme é uma bela fonte de inspiração que, pode ter certeza, muitos copiam, mas ninguém consegue fazer igual. A trama foge os padrões da época trazendo uma mocinha pouco convencional, com um gênio forte, manipuladora e egoísta, mas que consegue criar uma forte ligação com o espectador.

‘E o vento levou...’ é um filme a frente do seu tempo. O longa tem uma fotografia que desbanca qualquer produção atual (pretensioso?! Nããão). Cada cena é uma pintura. Sem contar a clássica promessa de Scarlet O´Hara, apanhando a terra com as mãos e prometendo nunca mais passar fome na vida. Sombras, céu, posicionamento de câmera, tudo muito bem pensado.

O mais impressionante em todo filme é imaginar como foi possível, em 1939, realizar cenas tão grandiosas como a pós-batalha, repleta de feridos, e o incêndio da cidade inteira.


Vivien Leigh teve uma grande oportunidade e soube aproveitá-la. Sua personagem está presente em, praticamente, todas as cenas do filme que, apesar de suas 4 horas de duração, não é nem um pouco cansativo.

Coisas que você precisa saber, mas ninguém te conta!



• Vivien Leigh recebeu 25 mil dólares por 125 dias de filmagem, enquanto Clark Gable recebey 120 mil dólares por 71 dias de trabalho. A atriz foi escolhida entre 1.400 candidatas. Durante as gravações, Vivien já apresentava sintomas de uma doença que veio a se desenvolver nos anos seguintes. A atriz sofria de transtorno bipolar;



• Bette Davis recusou o papel de Scarlet O’Hara;



• O filme foi premiado em dez categorias do Oscar, incluindo ‘Melhor Filme’, e está entre os 10 primeiros na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos da AFI;



• Hattie McDaniel, que interpretou Mammy, foi a primeira atriz de origem africana a receber o prêmio Oscar. Ela ganhou na categoria ‘melhor atriz coadjuvante’, mas não pôde ir a cerimônia por ser negra;


• Apesar de também ter sido dirigido por outros profissionais (George Cukor, Sam Wood e William Cameron Menzies também algumas sequências), apenas Victor Fleming assinou a direção do filme. Além disso, o roteiro que recebeu a assinatura de Sidney Howard, também teve trechos de escritos por Scott Fitzgerald e Bem Hecht;




• O filme, que tem quatro horas de duração, teve 28 horas de cenas filmadas;



• Nem preciso dizer que as cenas em que a cidade onde Scarlet estava é incendiada não foram feitas em né?! Mas o que poucos sabem é que estúdios inteiros, como os que abrigavam cenários de King Kong (1933), foram queimados para tornar as cenas mais reais. Foram pouco menos que 2 horas de incêndio, que assustaram os vizinhos dos estúdios, que chegaram a chamar os bombeiros;