O Discurso do Rei

Depois de passar por dois cinemas, sem lugar para as sessões mais próximas, enfim chegamos a um Cinema Estação. Nunca havia assistido a um filme na simpática sala de cinema de Botafogo. Aconchegante, com uns 120 lugares e uma tela no tamanho adequado, parecia o point da 3º idade carioca.
Antes de falar de ‘O Discurso...’, não posso deixar de comentar o nervosismo dos nossos companheiros de filme. Os senhores e senhoras não podiam escutar um suspiro mais alto que já se ouvia um sonoro “CALA A BOOOOOCA”. E quando alguém resolveu atender um telefone (que estava no vibracall – Graças a Deus!)?! Foram bem diretos: “VAI CONVERSAR LÁ FORA”, “DESLIGA ESSE TELEFONE”, “AQUI NÃO É LUGAR PRA ISSO” (A caixa alta é para destacar o volume dos esporros). Gostei do lugar! Principalmente das companhias, rs. Pudemos assistir ao filme na maior tranquilidade – com exceção desses momentos de ‘choque de ordem’, claro!
Mas vamos ao filme.
Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).
O Discurso do Rei é um filme correto. A história, apesar de bem interessante, não tinha um clímax, a não ser as gagueiras angustiantes do protagonista, mas que já eram esperadas e não traziam nenhuma surpresa. Apesar disso, é uma história boa de se ver. A dupla formada por Collin Firth e Geoffrey Rush é um grato presente para o público. Com um ótimo entrosamento e interpretação cuidadosa, os dois transformam a amizade que nasce entre os personagens em um verdadeiro trunfo, que acaba sendo admirado por todos.
Melhor ainda, é poder ver Helena Bonham Carter fazendo um personagem mais realista. A atriz, que há tempos se dedicou as grandes fantasias do cinema (muitas de seu marido, Tim Burton), chama atenção no filme pela novidade. Uma boa novidade. Entre os méritos do filme, não podem faltar as partes mais técnicas. A direção, de Tom Hooper, a fotografia, de Danny Cohen, e a direção de arte, de Netty Chapman, são um destaque a parte. Câmeras paradas, enquadramentos bem definidos e as cores utilizadas nas cenas, pareciam pintar quadros. O Discurso do Rei é uma produção que parece vir acompanhada com um selo do Oscar. Opa! Agora vem!


