quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Heróis da Resistência



Em homenagem ao dia da Consciência Negra, o Instituto Nossa Senhora do Teatro irá apresentar, em diversos pontos do Rio de Janeiro, o espetáculo 'A Saga de Manuel Congo e Marianna Crioula - Os Heróis da Resistência'

Criado para ser apresentado em espaços alternativos e com um elenco formado por mais de 50 atores, alunos e ex-alunos do instituto, o espetáculo narra a trajetória de dois negros da Aldeia de Arcozelo que lideraram uma luta pela liberdade no período da escravidão.

As encenações serão gratuitas e podem ser conferidas nos seguintes dias e locais:

19/11 - Gare da Estação de Trens Central do Brasil - 12h
20/11 - Busto do Zumbi - Praça Onze - 08h30
21/11 - Espaço Cultural Sylvio Monteiro - Nova Iguaçu - 19h

Nessa sexta, vale a pena dar uma passada rápida na Central do Brasil na hora do almoço e conferir a apresentação que tem duração de apenas 30 min.

Então, fica a dica de programação pra esse fim de semana.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dois extremos do Dionisícas: de 'Taniko' ao 'O Banquete'


Na última sexta-feira, começaram as apresentações dos espetáculos do 'Projeto Dionisiacas em Viagem 2010'.

Assisti o primeiro e o último espetáculo, respectivamente, 'Taniko, O Rito do Mar' e 'O Banquete', e consegui ver os extremos criativos da Cia. Oficina Uzyna Uzona.


'Taniko'é uma verdadeira poesia nipônica brasileira

A peça atrasou uma hora, mas valeu a pena esperar. Coberto por uma plasticidade e fotografia apreciável, 'Taniko' deu o pontapé inicial e, diga-se de passagem, com o pé direito para o ciclo de espetáculos do Projeto Dionisiacas, no Rio de Janeiro.

Com trilha sonora ao vivo, feita pela Banda Tigre Dente de Sabre,o espetáculo ganha uma mistura de ritmos que envolve a platéia, trazendo para o ambiente um entrosamento entre as culturas brasileira e japonesa.


Uma gueixa abre o espetáculo, em uma bela cena, pintando no chão o nome da peça com uma tinta vermelha. A partir daí começa uma viagem do Japão até o Brasil em pleno palco ao som de músicas tradicionais japonesas e Bossa Nova.

Como já dizia no post anterior, 'Taniko' conta a história do menino Kogata (Ariclenes Barroso) que arrisca-se ao deixar a mãe (Luiza Lemmertz) doente no Japão e seguir para o Brasil, em uma viagem de barco, sabendo da lei que estabelece deixar no caminho quem for tomado de exaustão ou ficar doente. Kogata revela não suportar o cansaço da viagem e exige que os companheiros o apunhalem e lhe joguem morto no mar, pois não quer morrer só. Cumpre-se o rito, apesar do Mestre Waki (Marcelo Drummond) tentar impedir. Depois do feito, apaixonado pelo discípulo, Waki invoca o poder de Zeame (Zé Celso), o criador do Nô, que os ajuda a tirar Kogata dos braços do mar.

Mitos do folclore brasileiro e japonês são inseridos e visitados nessa grande viagem que passa por vários países até, de fato, chegar aqui.

Em cena, vale destacar a voz potente de Cellia Nascimento, que já chega empolgando o público, interpretando O Bunda Budo.


O Coro de Yamabuchis dão vida ao que pode-se considerar como cenário, uma vez, que eles próprios, com suas partituras corporais, criam as ambientações do espetáculo, desde a formação do Navio até o tsunami que inunda a platéia.

O espetáculo inteiro é uma grande poesia, que com leveza em meio a uma estrutura tão bem acabada e cheia de equipamentos como grandes telões, fios, câmeras e refletores, conseguiu transportar o público para diversos países, fazendo um bom uso da tecnologia, mas sem depender dela.

Ressalto apenas a execução em cena por parte do Coro. A maioria das ações do Coro de Yamabuchis era, ou deveria ser sincronizada, desde a voz até o movimento. Entretanto, era nítido em algumas partes da peça uma certa insegurança de alguns atores, que até olhavam para trás para saber qual era a próxima ação a ser feita.

Mas ainda assim, o espetáculo não perde o seu ritmo e proporciona a platéia uma característica obra de arte.


Já 'O Banquete' ...

Uma vez, na escola de teatro em que eu me formei, o professor disse "Quando alguém for assistir uma peça de Artaud, tem que estar preparado para assistir Artaud.". Pois bem, deviam ter me dito a mesma coisa sobre o Zé Celso, antes de eu ir assistir o espetáculo "O Banquete" nesta última segunda-feira.

Recriação do clássico diálogo de Platão sobre Eros, o Amor, o texto de Zé Celso é feito em forma de versos musicados. Agatão (Marcelo Drummond), grande ator grego, acaba de encenar as Bacantes no Teatro de Estádio e recebe seus convidados, entre eles os filósofos Sócrates (Zé Celso), Aristófanes (Rodolfo Dias Paes), Diotima
(Camila Mota), Erixímaco (interpretado pelo ator pernambucano Anthero Montenegro) e o poeta Fedro (Lucas Weglinski) e Alcebíades (Fred Steffen), entre outros, para um banquete regado de vinho em sua casa onde vão cantar o Amor, Eros. Nesse ambiente, incorporam personagens da mitologia grega: Orpheu, Eurídice e Zeus; além de Jesus e Iemanjá.


Foram distribuidos vinhos e frutas para o público afim de trazê-los também a cena. Na verdade, muitos da platéia nem precisaram de vinho e já se fizeram presentes, tirando a roupa enquanto um dos atores fazia os agradecimentos e apresentava seus patrocinadores.

Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que no início não achei algumas coisas engraçadas. Mas depois de 30 minutos de espetáculo tudo começou a perder o propósito. A nudez começou a se tornar desnecessária e a vulgarização do amor e do sexo tomou conta do palco.

Não acho que valha a pena comentar mais porque não gostei do espetáculo e por isso sai antes de terminar. Não era a minha praia.

Fotos de Neander Heringer

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dionisíacas em Viagem – Finalmente no Rio



Tive a oportunidade de participar da Oficina Uzynas Uzonas de Atuação/Direção/Música, orientada por José Celso Martinez Correia, um dos ícones do teatro brasileiro, e pela Cia. Oficina.

Com duração de aproximadamente 7 dias, os oficineiros, como eram chamados os alunos, puderam exercitar e aprender um pouco mais sobre a utilização do corpo em cena e foram preparados para participarem dos quatro espetáculos que serão apresentados entre os dias 12 e 15 de novembro, no Teatro de Extádio, montado no Terreirão do Samba.

Os espetáculos 'Taniko', 'Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!', 'Bacantes' e 'O Banquete' contam com a interação multimídia que aproxima e integra ainda mais o público as representações, revolucionando a montagem teatral. O evento será finalizado com uma grande festa, ao som eletrônico da Banda Tigre Dente de Sabre.

Toda essa movimentação artística faz parte do Projeto Dionisiacas em Viagem 2010, que já percorreu 5 estados do Brasil e encerra sua temporada de atividades aqui no Rio de Janeiro.


Não consegui participar de todos os dias de oficina, mas o pouco que pratiquei e observei acrescentaram bastante na minha visão teatral, abrindo a minha mente a novas possibilidades.

Vale a pena conferir e participar dessa experiência que com certeza vai fazê-lo sair diferente do teatro.


Taniko, o Rito do Mar

Espetáculo baseado em peça de Zeami (1363 a 1443), dramaturgo e dançarino japonês criador do Teatro Nô. Numa recriação de Luis Antonio e José Celso Martinez Corrêa, esse rito foi transformado na primeira viagem dos imigrantes japoneses ao Brasil, na forma de um musical para o público de todas as idades. A peça narra uma viagem de iniciação, trazendo num barco o menino Kogata (Ariclenes Barroso). Ele arrisca-se ao deixar a mãe (Luiza Lemmertz) doente no Japão e seguir para o Brasil, sabendo da lei que estabelece deixar no caminho quem for tomado de exaustão ou ficar doente. Kogata revela não suportar o cansaço da viagem e exige que os companheiros o apunhalem e lhe joguem morto no mar, pois não quer morrer só. Cumpre-se o rito, apesar do Mestre Waki (Marcelo Drummond) tentar impedir. Depois do feito, apaixonado pelo discípulo, Waki invoca o poder de Zeame (Zé Celso), o criador do Nô, que os ajuda a tirar Kogata dos braços do mar.

Data: Dia 12 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 20h.
Duração: 1h40, sem intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: Livre para todas as idades.
Elenco: Cia Oficina.

Estrela Brazyleira a Vagar - Cacilda!!

Segunda parte da tetralogia que narra a vida e a obra da atriz Cacilda Becker (interpretada pela atriz Anna Guilhermina), a peça dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa fala sobre os bastidores do teatro brasileiro, na década de 1940, para traçar um painel da história do Brasil sob o ponto de vista de uma artista. Traz na sua dramaturgia a ascensão de Cacilda no teatro entre artistas da época, como Grande Othelo, Ziembinski, Maria Jacinta, Raul Roulien, Jorge Amado, Bibi Ferreira, Maria Della Costa e Sérgio Cardoso. Mostra ainda o encontro da geração de diretores como Ziembinski, Turkov, Wylli Keller, refugiados do nazismo, com a geração de Cacilda e o Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento.

Data: Dia 13 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 18h.
Duração: 6h, com um intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere que cada pessoa leve uma flor, para ser utilizada durante a apresentação). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 16 anos.
Elenco: Cia Oficina.

Bacantes

Uma das mais conhecidas – e polêmicas – obras do Teatro Oficina, Bacantes reconstitui o ritual de origem do Teatro em 25 cantos e cinco episódios. Com música composta por Zé Celso (que também assina a autoria e direção), a última tragédia grega conhecida – Bakxai (406 a.C.), de Eurípides –, é encenada como ópera de Carnaval para cantar o nascimento, morte e renascimento de Dionysios, deus do Teatro, do vinho, do Carnaval. O espetáculo mostra a chegada de Dionysios (Marcelo Drummond), filho de Zeus (Hector Othon) e da mortal Semelle (Anna Guilhermina), em sua cidade natal, TebaSP, que não o reconhece como Deus. Trava-se o embate entre o prefeito de Tebas Penteu (Fred Steffen), filho de Agave (Cellia Nascimento), que tenta proibir a realização do Teatro dos Ritos Báquicos oficiados por Dionysios e o Coro de Satyros e Bacantes nos morros da capital Tebas, governada por Kadmos (Hector Othon) – mudando para sempre a história daquela cidade. Com autoria e direção de Zé Celso, Bacantes teve sua primeira montagem em 1995, sempre atraindo multidões por onde passou. A nova versão foi lançada em 2009, pelo Sesc São Paulo. É a peça que inspirou a atual arquitetura do Oficina, dos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito, no Bixiga, em São Paulo, com sua fonte, jardim, teto-móvel e uma imensa janela que se abre para o céu e uma pista ladeada de arquibancadas.

Data: Dia 14 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 18h.
Duração: 6h, com dois intervalos.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 16 anos.
Elenco: Cia Oficina.

O Banquete

Recriação do clássico diálogo de Platão sobre Eros, o Amor, o texto de Zé Celso é feito em forma de versos musicados. Agatão (Marcelo Drummond), grande ator grego, acaba de encenar as Bacantes no Teatro de Estádio e recebe seus convidados, entre eles os filósofos Sócrates (Zé Celso), Aristófanes (Rodolfo Dias Paes), Diotima (Camila Mota), Erixímaco (interpretado pelo ator pernambucano Anthero Montenegro) e o poeta Fedro (Lucas Weglinski) e Alcebíades (Fred Steffen), entre outros, para um banquete regado de vinho em sua casa onde vão cantar o Amor, Eros. Nesse ambiente, incorporam personagens da mitologia grega: Orpheu, Eurídice e Zeus; além de Jesus e Iemanjá. A peça foi montada a convite do Festival de Zagreb, na Croácia e em junho de 2009 iniciou temporada no Teatro Oficina. Durante a apresentação, o público tem a possibilidade de comprar (e beber) vinho oferecido pela produção.

Data: Dia 15 de novembro.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Horário: 19h.
Duração: 3h45, sem intervalo.
Ingresso: Gratuito (A produção sugere a doação de 1Kg de alimento não perecível ou um brinquedo). Os ingressos serão distribuídos duas horas antes do início do espetáculo, no local.
Recomendação etária sugerida: 18 anos.
Elenco: Cia Oficina.

Show da Banta Tigre Dente de Sabre

Ao final do espetáculo O Banquete, que encerra a turnê das Dionisíacas em Viagem no Rio, o público poderá participar de uma grande festa ao som da banda paulista Tigre Dente de Sabre (www.myspace.com/tigredentedesabre). O show, de uma hora de duração, será realizado dentro do próprio Teatro de Extádio, logo após o encerramento da peça O Banquete. Os músicos da banda Tigre Dente de Sabre fazem parte dos 29 atuadores em cena do Teatro Oficina, nas quatro peças que compõem o projeto Dionisíacas em Viagem. Com um som que mistura música eletrônica e erudita numa linguagem contemporânea, os instrumentistas Guilherme Calzavara (bateria, trumpete, zaphoon e programações eletrônicas), Marcos Leite (baixo elétrico, sintetizador e programações eletrônicas) e Zé Pi (guitarra) vão oferecer ao público uma verdadeira “rave erudita”, num show dançante que marca em clima de festa a despedida do Teatro Oficina em Minas Gerais. O show é aberto a todo o público que for assistir a peça O Banquete.

Com: Guilherme Calzavara (bateria, trumpete , zaphoon e programações eletrônicas), Marcos Leite (baixo elétrico, sintetizador e programações eletrônicas ) e Zé Pi (guitarra).
Data: Segunda-feira, dia 15 de novembro.
Horário: Após a peça O Banquete.
Local: Teatro de Extádio – Montado no Terreirão do Samba (Praça Onze). Capacidade 2.000 lugares. Acesso para cadeirantes.
Ingresso: Gratuito.

Quer conhecer mais o trabalho do Teatro Oficina? O que não falta é link. Confira:

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