Estou de volta. Na verdade, voltei outras vezes, mas não postei nada porque os espetáculos que assisti não foram tão bons para colocá-los aqui e, se não é pra falar bem, prefiro não falar. Afinal de contas, eu posso ter não gostado, mas quem sabe você gosta?!
Sendo assim, resolvi falar sobre um filme muito bom que assisti nesse final de semana (muito bom no meu ponto de vista, a minha noiva detestou).
Hair

O filme Hair é um dos musicais com mais mensagens que eu já vi nesses meus módicos 20 anos de idade.
Não vou negar que, se tivesse assistido a esse filme há uns dois anos atrás, não o veria do jeito que o vi. Sabe aquele meu problema com o ‘artístico e abstrato’?! Pois então, já melhorou bastante!
Gostaria que todos, que não tem costume de ver um musical, assistissem a esse filme com o coração aberto. Apesar de ter sua origem nos anos 60, as mensagens do filme se aplicam muito bem para o que a população mundial vive hoje. Seja falando em guerra ou de convivência em sociedade.

O filme conta a história de Claude, que sai do interior para Nova York, onde pretende se alistar para o exército e ir lutar na guerra do Vietnã. No Central Park, conhece um grupo de hippies liderados por Berger e, ao ver Sheila, uma linda menina de família tradicional, passeando a cavalo pelo parque, acaba se apaixonando. Berger convida-o para irem de penetras na festa de Sheila e lá declarar seu amor. Claude vai parar na cadeia, depois no lago do Central Park e por fim no exército. Mas o esforço final de Berger para salvar o amigo do Vietnã acaba dando margem a uma surpresa do destino... com conseqüências chocantes.
O bacana do filme é que os hippies não são apresentados como "os perfeitos". Ao mesmo tempo que tem como lema a Paz e o Amor e são contra a injustiça e a guerra, também fazem o uso excessivo de drogas.
Me admira a ousadia que o musical teve de contar uma história que critica diretamente o governo, sem nenhum disfarce. O filme foi censurado em alguns países, inclusive no Brasil, que na época vivia um dos momentos mais rígidos do regime militar.

Gosto muito da forma criativa e irônica que o filme aborda seus temas.
Uma das(muitas) cenas que mais gostei é a que os soldados vão para um pátio onde o coronel começa um discurso para levantar a auto-estima deles e é interrompido pelo som de um movimento artístico que denuncia a hipocrisia do coronel que tenta, através de palavras bonitas e motivadoras, disfarçar o que acontece no campo de batalha. Fantástico.
Além de terem um forte apelo crítico, a maioria das músicas são empolgantes e fazem com que o espectador seja envolvido cada vez mais pelo filme.
A música “Got a life” é a crítica contra a desigualdade social invadindo a mesa de jantar no meio de uma festa onde o luxo e o exagero predominam.
Em “Easy to be Hard”, além de ilustrar o que o personagem sente e pensa, criticando as atitudes de um dos integrantes do grupo, a letra da música pode ser adotada por muita gente, sejam elas hippies ou não.
Não posso esquecer de falar da hilária “Black Boys/White Boys” que desconstrói a imagem forte e viril dos soldados e sargentos, apresentando o homossexualismo dentro da corporação. Muita coragem.

‘Let the sunshine' é o grito de liberdade do filme, dos hippies, dos anos 60. Clássico.
Curiosidade: Um trecho de 'Let the Sunshine' foi usado como tema oficial da campanha a presidência de Barack Obama.
A versão cinematográfica de Hair foi feita a partir do espetáculo homônimo escrito por James Rado e Gerome Ragni(textos e letras de música) e músicas de Galt MacDermot(músicas). O espetáculo estreou em outubro de 1967 em teatros off-Broadway, mas logo em 1968 teve sua estréia na Broadway, no Teatro Biltmore, onde foi apresentado por mais de 1.800 vezes.

O espetáculo não tem o mesmo enredo que o da versão do cinema.
No Teatro, o musical segue a trajetória d’ A Tribo, um grupo de hippies da Era de Aquário politicamente ativos, em sua luta contra o recrutamento militar no período da Guerra do Vietnã. Entre os hippies estão Claude e Berger, que lutam contra a convocação do primeiro, e Sheila, apaixonada pelos dois, mas muito envolvida na luta política para cuidar de seus sentimentos amorosos. Eles e os outros membros do grupo sintetizam o pensamento e a prática dos hippies nos anos 60.

Em 1969, no Brasil, foi feita uma montagem do musical em São Paulo, por Ademar Guerra. Detalhe: o espetáculo estreou logo após a assinatura do Ato Constitucional nº5, decreto do Regime Militar Brasileiro que resultou em cassações de direitos políticos em massa e prisão e torturas de adversários.
Obviamente, o espetáculo que era repleto de cenas de nudez não agradou a censura.
Mas depois de uma longa negociação, os censores concordaram que a nudez seria mostrada apenas no final do espetáculo, onde os atores deveriam permanecer imóveis, sendo seguido por um “Black-out”.
Até hoje, a cena é lembrada como um dos grandes momentos do teatro brasileiro.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMenino Rhuan, você me surpreende a cada dia, com seu gosto por diversas artes!
ResponderExcluirNão conhecia essa outra veia artística. Só falta me dizer que gosta de Literatura também.
Parabéns pelo blog. Gostei e pretendo voltar.
Sucesso!
Gabriela
Que legal vou assistir ao musical sim!
ResponderExcluirInteressante...
Engraçado isso néh, gosto é gosto e PONTO!
;D
Beejo