terça-feira, 2 de março de 2010

FILME DA VEZ: DOGVILLE






E está na hora de falar de um filme. Esses dias tenho lembrado muito de Dogville. Não sei por que. Sou do tipo que quando assiste filmes fica comentando deles durante duas semanas, no mínimo (e a Raquel sabe disso! Ô se sabe, rsrs).

Dogville foi um dos filmes mais comentados no semestre passado entre amigos e palestras que eu assisti. Engraçado, porque ele foi lançado em 2003.

Não tinha assistido e, é claro, fiquei curioso pra saber o motivo de tanta repercussão, então aluguei o DVD no inicio desse ano.

Tenho um pouco de dificuldade de aceitação e compreensão desses filmes mais artísticos (engraçado não?!), mas isso tem melhorado, bastante!





Não vou mentir, no inicio do filme eu estava gostando, no meio já estava de saco cheio, mas no final, meus amigos: QUE FINAL! Rendeu 1 mês de falatório no ouvido da Raquel!

O filme, descrito na sinopse, se passa nos Anos 30, Dogville,num lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.



Influências

Com fortes influências das técnicas de Brecht, como amigos haviam comentado e fica claríssimo no filme, do teatro caixa preta e o teatro do absurdo, Dogville é um filme ousado tendo em vista as produções atuais. (estou estudando Grotowski e me pergunto se a questão da utilização de poucos objetos de cena e a valorização do trabalho dos atores também não retratariam suas “técnicas”. Devo estar viajando. Se alguém concordar ou discordar, por favor comentem.... senão vou achar que tudo pode ser Grotowski! rs)



Cenário

A cidade é como um grande palco de teatro, um galpão, com lados infinitos . As paredes não são vistas, mas estão ali. Com cenário visto de cima é possível ver com mais clareza que ele é dividido por marcações brancas no chão, como uma planta de uma casa, que divide as residências e indica onde tem árvores, arbustos, etc.



Eu: O LOUCO!

O filme traz mil e umas metáforas. Uma das “melhores” e mais impactantes cenas do filme - tirando o final - é quando Grace é violentada por Chuck e, numa visão geral das casas sem paredes, as pessoas se comportam normalmente como se nada estivesse acontecendo. Mas elas não estavam vendo, afinal, as paredes não aparecem no cenário, mas existem. Existem?! Será que aquilo não era o que todo mundo sabia, mas não queria enxergar?!

E é claro, não vou comentar muito sobre o final. Mas é inquietante você perceber que a pessoa está certa, mas ao mesmo tempo está errada. A sensação de pensar que ela tinha o direito de fazer o que fez me deixou mal. Não acredito na premissa de que se deve dar o troco na mesma moeda, mas mesmo assim, no fundo a gente acaba achando que ela fez o certo, quando na realidade acabou agindo como os habitantes da cidade... vocês podem achar que não sei o que estou dizendo quanto ao final, mas na verdade o filme te faz ficar desse jeito: sem saber o que pensar. Pelo menos foi assim que ele me deixou.

Comentários finais (eu juro!rs)

Nicole Kidman surpreendeu. E eu achando que nunca mais a veria representar um personagem tão bem (ainda mais depois daquela participação meio sem sal em "Nine", vai ver depois eu comento sobre esse filme também), se bem que esse filme é de 2003.

Enfim, recomendo o filme e dou a maior força pra que vocês o assistam até o final, caso achem, na metade, que o filme não vai dar em nada.

Obs: Com certeza devo estar esquecendo de comentar alguma coisa do filme, mas também não posso escrever uma bíblia né?! (por que eu posso hein! hehe)

Por Rohan Baruck

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