terça-feira, 8 de setembro de 2015

Entre livros, filmes, séries e Cabaret Les Amants




Tudo influencia na escrita. Inclusive, literalmente falando. Quando eu estava na quarta série, com uns 10 anos de idade, uma professora passou um trabalho cuja finalidade era criar um jornal. Naquela época, ter computador era quase o mesmo que ter uma Ferrari hoje em dia, então meu jornal foi feito à mão. De tanto escrever letras de forma, minha caligrafia - que já não era grande coisa – se tornou uma mistura estranha destas com letras cursivas.

Para escrever uma história não é diferente. Sou ator e jornalista por formação, ambas profissões que tem como princípio a observação, e como tal não consigo parar de prestar atenção em tudo que acontece a minha volta. E isso é fonte de inspiração.

Um trejeito de alguém, uma conversa sem compromisso, uma discussão no metrô apertado, um desabafo na fila de duas horas para pegar uma senha no Banco do Brasil, para esperar mais 40 minutos para ser atendido... enfim. Deu para perceber que também sou bem positivo, já que consigo ver o lado bom de certas coisas.

Mas além do cotidiano, outras histórias, bem como outros livros, filmes e séries também servem de referência para a construção do que eu levo para meus romances (sim, tenho mais um engavetado e que já, já, vai ser passado pra um papel).

Livros

Sempre gostei de pensar sobre acontecimentos. Sou curioso e o “porquê” é sempre uma busca constante em qualquer conversa. Talvez eu devesse ter feito filosofia, mas acho que não é esse o perfil da minha curiosidade. Minha paixão está em mistérios. Suspenses. Jogos de adivinhação.

Livros como 'O Código Da Vinci' e 'Anjos e Demônios' (esse, muito melhor que o primeiro) de Dan Brown eram devorados numa velocidade impressionante. 'Os homens que não amavam as mulheres' de Stieg Larsson, apesar da narrativa lenta, também alimentou minha fome de suspense, mas numa velocidade mais tranquila.
Desde muito novo meus interesses caíam sobre temas que envolviam esse gênero. 'Descanse em paz, meu amor' de Pedro Bandeira - apesar de muito medo - me fez ficar completamente estatelado, aos 13 anos de idade, com seu final surpreendente. 'A marca de uma lágrima' (me julguem), do mesmo autor, foi lido em um dia. Eram 170 páginas. Comecei às 10h, terminei às 22h. Eram boas leituras.  

Inevitavelmente, mesmo de maneira inconsciente, sei que essas histórias permeiam a maneira como 'Cabaret Les Amants' foi escrito e os rumos que acabou tomando.

Mas não é só de livros que se constrói uma boa história. Filmes e séries tem influência direta na maneira como escrevi 'Cabaret Les Amants' e até mesmo com a trama, propriamente dita. Vou dar exemplos bem claros.

Filmes e séries

Em  'Sobre Meninos e Lobos', o mistério pode ser desvendado logo no início do filme por conta de uma pista tão óbvia, mas tão óbvia... que não vou contar aqui para não dar spoiler. Em 'Cabaret Les Amants' fiz algo parecido. Tentei colocar, já nas primeiras páginas, uma pista tão sutil quanto a do longa. Fique atento!



Já o filme 'Anjos do Sol' foi primordial para o start da minha ideia. De alguma forma esta excelente e perturbadora produção brasileira contribuiu muito para despertar o universo de 'Cabaret'. Apesar de duas realidades diferentes -  no filme as meninas sabem que estão sendo prostituídas e no livro o abuso pelos convidados é algo (de certa forma) desejado - as duas histórias tem como pano de fundo a floresta, o isolamento. Em ambas, uma nova sociedade e novas regras são instituídas. Recomendo. Vale a pena assistir!



Partindo do cinema para TV, as séries americanas são minha grande referência dramatúrgica. Fico impressionado com a capacidade narrativa dos "enlatados". Não desmerecendo as produções nacionais, mas os norte americanos conseguem criar histórias muito boas.

Sei que serei muito julgado pela minha seguinte declaração, mas ninguém é perfeito: o que é a costura narrativa de 'Once Upon a Time'? DEOS! De onde sai tanta criatividade?! É conto de fadas? Tá. Os cenários em Chroma Key são péssimos? São. Mas ignore tudo isso e perceba como eles constroem relações entre dois tempos diferentes. É sempre surpreendente. E o melhor de tudo: percebam como eles destroem infâncias com teorias convincentes (Ninguém mais gosta de Peter Pan!). Mesmo sem muito reconhecimento pela crítica, merecem atenção. E não à toa, quem lê 'Cabaret Les Amants' logo se dá conta de como esse tipo de narrativa me inspira. Os flashbacks que "justificam" os acontecimentos são prova disso.

  
Ainda sobre os "enlatados", outra série que inspirou o livro foi 'American Horror Story'. Apesar de eu achar que, nesse caso, a dramaturgia se perde no final das temporadas, o clima da série é bem envolvente em relação ao que se propõe. Em 'Cabaret'  há momentos que este horror é explorado. Tramas como da Noemia, de Teresa, o ritual dos convidados e até mesmo o final do livro (que eu não considero ruim, ao contrário do final das temporadas) tem um toque "Horror Story" de ser.

Ah... e se eu pudesse escolher um produtor musical para fazer a trilha sonora do meu livro, seria o mesmo dessa série! Com certeza!



E por fim, mas não menos importante, vamos falar de 'Narcos'.

'Narcos' e o Realismo Mágico



A série acabou de estrear e é protagonizada pelo brasileiro Wagner Moura e seu esponholzito que não me incomodou nem um pouco. Confesso que sempre fico meio cansado com o tema tráfico, comunidade, violência urbana. Mas, depois que você assiste um episódio da série, não consegue mais parar. Aliás, o Netflix tem dessas coisas. Acho que essa liberdade para assistir a temporada inteira de uma produção acaba despertando na gente uma nova maneira de ver tv. Enfim, sem teorias... voltando à 'Narcos'. A história é ótima e conta com uma mistura entre ficção e realidade que é o grande trunfo da série. Mas uma coisa chama muita atenção: o realismo mágico.

O primeiro episódio já explora uma constatação: Realismo Mágico é definido como o que acontece quando uma situação realística, altamente detalhada, é invadida por algo estranho demais para acreditar. Existe um motivo para o realismo mágico ter nascido na Colômbia.

No terceiro episódio, conclui: É um país onde os sonhos e a realidade se confundem, onde em suas mentes as pessoas voam tão alto quanto Ícaro.

Isso despertou meu interesse na hora. "Em suas mentes as pessoas voam tão alto quanto Ícaro".

Já tinha ouvido falar de Literatura Fantástica, mas Realismo Mágico?!

Tenho uma grande dificuldade em classificar o livro 'Cabaret Les Amants': é um Romance de suspense? Terror? É um drama? Vai ver alguém acha graça, é uma comédia? Sei lá. Na verdade, isso nem me preocupa. Mas eis minha natureza de pensar demais sobre as coisas.

Comecei a achar que aí poderia estar uma classificação para minha história. Fui pesquisar e, sim, existe uma possibilidade. Tudo em 'Cabaret' parece surreal, mas no decorrer da narrativa você percebe que tudo é muito possível, com exceção de alguns elementos bem pontuais. Mas é possível. Afinal, você precisa se deixar enganar para entender a realidade em que as personagens vivem e é aí que está a magia!

Quer saber mais sobre Realismo Mágico? Tem link aqui, aqui, aqui e aqui!

domingo, 30 de agosto de 2015

NEM TUDO QUE PARECE, É

"Não, eles não são homens. Por trás daqueles panos, não existe rosto. Eles são deuses, eles têm o poder de trazer o bem ou o mal para dentro de vocês. Mas não são eles que escolhem o que plantam. Se estiverem sujas, com pensamentos impuros e não se entregarem ao que eles querem, irão criar um monstro dentro de vocês."

- Teresa

Foto de Quentin Arnaud, que tem um ensaio inteiro com esse trabalho - sensacional - de sombra. Veja aqui!
















No livro 'Cabaret Les Amants', certamente, o que mais intriga é a existência dos Convidados. Tidos como deuses, são figuras misteriosas com um poder sobrenatural, tanto que são descritos pela matriarca Teresa como os responsáveis por manter o casarão e seus habitantes em segurança, longe de qualquer mal. De aparência circunstancialmente macabra, eles tem corpo de homem e a cabeça coberta por um pano, escondendo o que deveria ser a sua face.

Mas de onde surgiram esses deuses? Por que eles tem o rosto coberto?

Bom, não espere que eu revele o segredo assim de mão beijada. É claro que para descobrir você precisará ler o livro. Mas não me custa nada tentar ajudá-lo a entender melhor as inspirações para criação deste personagem, quem sabe daí não sai alguma resposta? 


O quadro

Les Amants. René Magritte, 1928.
René Magritte foi um dos principais artistas do movimento surrealista e criou, entre suas principais obras, o quadro 'Les Amants', que não só serviu como inspiração para a criação dos Convidados, como também decora o casarão de Teresa e suas meninas.

No Romance eles são tidos como deuses, mas na vida real, as explicações sobre a motivação de Magritte para pintar um casal de rosto coberto varia entre duas possibilidades: um personagem da literatura francesa ou a morte da própria mãe.

A primeira, trata-se do personagem francês fictício de histórias do gênero policial, Fantômas, um ladrão sem qualquer escrúpulo, sociopata, que matava suas vítimas com requintes de sadismo e tinha o rosto coberto para não revelar sua verdadeira identidade. Esse personagem surgiu em 1911, aparecendo em mais de 32 livros escritos por Marcel Allain e Pierre Souvestre. Ao longo dos anos, Fantômas  foi adaptado para TV, Cinema e quadrinhos.

Abaixo uma versão bem esquisita do que se tornou o Fantômas no cinema, em 1966, no filme 'Fantômas contre Scotland Yard':


Aqui, uma versão mais sensata do personagem, na ilustração para o Gibi do Fantôma:


Já a segunda possibilidade de inspiração do pintor, para o quadro 'Les Amants', é um pouco mais triste e não se trata de uma ficção. Aproximadamente aos 14 anos de idade, Magritte viu o corpo de sua mãe ser retirado de dentro do Rio Sambre, no Norte da França, enrolado pelo vestido branco que ela usava. A mulher havia cometido suicídio, afogando-se no rio. 
  
No Romance


Em 'Cabaret Les Amants', os Convidados tem uma relação muito forte com a história de Teresa. Posso, inclusive, dizer que o surgimento deles está diretamente ligado ao que a personagem de aparência centenária se tornou com o tempo. 

domingo, 23 de agosto de 2015

O primeiro Romance a gente nunca esquece!


Dizem que antes de morrer você precisa fazer três coisas: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. 

Bem, se contarmos os feijõezinhos do Jardim de Infância, a primeira parte já foi fácil. Check! O livro acaba de sair em duas versões: impressa e e-book. Check! Já a última tarefa... bom, não é por falta de prática, mas digamos que eu não queira morrer com 25 anos, então resolvi adiá-la por um tempo. rs


Brincadeiras à parte, finalmente lancei meu primeiro romance. Depois de um ano escrevendo e mais dois anos tentando publicá-lo, resolvi fazer essa criança nascer através de uma produção independente. E como para todo pai o seu filho é o mais lindo, como não me sentir orgulhoso pelo primeiro?!

O romance foi inspirado em um quadro surrealista de Rene Magritte, intitulado 'Os Amantes' (Les Amants) e, assim como a obra de arte, é cercado de mistérios e suspenses. Tentei escrever a história criando um ninho de pulgas atrás da orelha do leitor, mas não se preocupem, todos os segredos são revelados (isso aqui não é o seriado Lost). E a grande vantagem desta leitura esta na estrutura que eu busquei seguir a risca: cada capítulo um mistério, cada capítulo uma descoberta. Ou seja, suas unhas ficarão intactas até o final do livro, nem precisa roê-las. 

Vamos à sinopse? 

Isabel acordou e não sabe onde está. Menos ainda como chegou naquela casa. Era 1905, mas ela não se lembra da última data em sua memória, de nenhuma de suas irmãs e nem de Teresa, sua mãe.

As histórias que dizem que ela ouviu desde criança - sobre deuses com corpo de homem e rostos cobertos por um pano, que viriam abençoar-lhes com a dádiva de gerar uma menina - ainda eram estranhas.

Mas por que isso não faz mais sentido?


Sentido. O sentido das coisas parece ser cada vez menor até que o vislumbre de um quadro denuncia o que pode ser um risco de vida para Isabel e cada moradora do casarão.

Primeira dica



E aí, ficou intrigado? Mesmo com essas histórias de Deuses, rituais e maldições, vou dar-lhes uma dica muito importante: não pense que isso é um conto de fadas, essa história é tão possível quanto você ser assaltado no Rio de Janeiro (viu como é real?!)

Segunda dica

Como é lançamento do livro, estou generoso. Então vamos lá: entenda esta citação de Aristóteles e você já desvendará um dos mistérios. 



"A comunidade constituída a partir de vários povoados é a cidade definitiva, após atingir ao ponto máximo de uma auto-suficiência praticamente completa; assim, ao mesmo tempo que já tem condições para assegurar a vida de seus membros, ela passa a existir também para lhes proporcionar uma vida melhor. Toda a cidade, portanto, existe naturalmente, da mesma forma que as primeiras comunidades; aquela é o estágio final destas, pois a natureza de uma coisa é o seu estágio final (...) Estas considerações deixam claro que a cidade é uma criação natural, e que o homem é por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade (...), e se poderia compará-lo a uma peça isolada do jogo de gamão."



- (Querido) ARISTÓTELES

Acho que por hoje é só pessoal. 

Ahhh, mas antes, deixe-me fazer o merchan. Se você quiser comprar o livro impresso é só entrar no site da AgBook ou clicar aqui. Já para comprar o e-book (que convenhamos, é bem mais em conta - financeiramente falando), basta clicar aqui. 

Até a próxima!

Leia os primeiros capítulos de Cabaret Les Amants de graça